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Vamos falar sobre suicídio

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Por Carolina Mejolaro, Psicóloga – CRP 07/15377

O suicídio ainda é tratado com muitos tabus na nossa sociedade capitalista, onde não há lugar para a tristeza, para a falha, ou mesmo para a dor, onde muitas vezes as famílias reforçam que seus jovens sejam bem sucedidos. Na nossa sociedade temos muitas dificuldades em falar sobre a morte em geral e principalmente quando se trata de suicídio. Em muitas famílias o suicídio fica velado, se mantem um segredo familiar que muitas vezes passam por varias gerações.

Enquanto sociedade precisamos falar sobre suicídio, pois a cada dia os números aumentam.

Segundo a (OMS), cerca de 815 mil pessoas se mataram no ano de 2000, em todo o mundo, o que significa um suicídio a cada 40 segundos. O suicídio encontra-se como a quarta causa de morte entre pessoas de 15 a 44 anos.  Cerca de 90% dos casos e 40% das tentativas de suicídio estão associadas a alguns transtornos mentais, depressão e abuso de substâncias psicoativas. O suicídio tem aumentado nas ultimas décadas, envolvendo todas as faixas etárias em diferentes contextos econômicos. A idade média das pessoas que cometem suicídio vem diminuindo, as mulheres apresentam maior índice de tentativa e os homens lideram a consumação do ato.

Este é um assunto polemico e complexo onde ficamos questionando o que leva uma pessoa a cometer tal ato. Em 90% dos casos de suicídio são marcados por muito sofrimento psíquico ou transtornos psiquiátricos. Surge então a alternativa de tirar a própria vida como uma forma de fuga a um sofrimento intenso e insuportável. Instala-se no individuo uma luta constante entre a vida e a morte, onde a ultima acaba prevalecendo.

O ato suicida exitoso se constitui numa complexa rede de fatores que foram interagindo durante a vida do indivíduo, de formas variadas, peculiares e imprevisíveis. Dessa complexidade fazem parte fatores genéticos, biológicos, psicológicos (ênfase nas primeiras experiências vitais), sociais, históricas e culturais. Por isso, não podemos referir as “causas” de um determinado suicídio. Trata-se de uma expressão de conteúdos psíquicos através de atos, existindo uma agressão ao exterior e um enorme sentimento de vazio e desamparo.

Podem haver situações de muito sofrimento vividos anteriormente pelo sujeito e, quando um elemento atual dispara a ocorrência de um sentimento devastador, capaz de provocar um suicídio, geralmente reativa uma situação de sofrimento já conhecido, potencializando e tornando intolerável o momento atual.

O suicídio é uma tragédia pessoal e familiar, um problema de saúde publica. O impacto para os familiares é muito devastador, sentimentos de raiva, impotência e culpa são muito comuns. Todas as pessoas que conviviam com alguém que comete suicídio ficam traumatizadas de alguma forma. É importante acompanhamento psicológico para familiares e pessoas próximas, um espaço para falar, colocar os sentimentos, conseguir elaborar o luto e o trauma que este tipo de morte causa.

Este é um problema muito sério, a nossa sociedade cada vez mais ira enfrentar, não temos como fugir deste tema e com as dificuldades em lidar com a auto destrutividade e a nossa finitude. Penso que, cada vez mais, precisamos falar sobre este assunto pois, se a morte faz parte da vida, pensar na morte e no sofrimento decorrido dela, é pensar na vida.