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Transtorno do Pânico

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Por Rafaela Haas Oliveira Zanini, Psicóloga – CRP 07/14351

A ansiedade é um afeto normal e tem como função alertar o organismo frente a situações que ameacem sua sobrevivência, como uma proteção. Entretanto, há uma diferença entre a ansiedade normal e a patológica. Quando ela ultrapassa certo limiar, ao invés de auxiliar a pessoa, passa a trazer sofrimento.

A psicanálise se dedicou em estudar a ansiedade e suas vicissitudes e relaciona a ansiedade patológica com uma revivência de situações arcaicas da vida de um individuo. Assim, diante de situações de ameaças a pessoa revive um desamparo inicial do recém-nascido.

Dentre alguns transtornos mentais, o transtorno do pânico é uma doença que se caracteriza por crises de ansiedade. Estas se constituem de um medo exacerbado, acompanhado de sintomas físicos que geralmente duram alguns minutos e que produzem enorme desconforto ao paciente. A sensação de que a pessoa irá morrer ou de perda de controle é desesperador.

Os sintomas começam repentinamente: dor ou desconforto no peito que se confunde com sinais de infarto, palpitações e taquicardia, sensação de falta de ar e de sufocamento, sudorese, náusea, tremores, entre outros. A presença de alguns destes sintomas podem caracterizar uma crise. Em crises mais intensas, os pacientes podem experimentar graus diferentes de despersonalização. Uma sensação onde a cabeça parece ficar leve, um estranhamento com o próprio corpo, onde o sentimento de perda de controle toma conta e a pessoa estranha-se em si mesma.

Apesar das crises se manifestarem sem motivo aparente, comumente são desencadeadas por algumas condições: situações em que a pessoa se vê presa ou com dificuldade para sair (ficar preso em um congestionamento no transito), ou lugares com aglomerado de pessoas, ou ainda em situações de ameaça. Os episódios podem repetir-se de forma aleatória, podendo ocorrer mais de uma vez durante o mesmo dia ou serem mais espaçadas até surgirem novamente. O fato de não se saber quando acontecerão gera um estado de ansiedade ainda maior, desenvolvendo um medo por novas crises. O aparecimento de outros distúrbios de ansiedades é muito comum nestes casos, como a agorafobia (ansiedade desencadeada em locais abertos ou fechados com muita gente).

Desta forma, o quadro da Síndrome do Pânico, como também é chamado, se dá quando as crises de ansiedade são recorrentes, com o desenvolvimento do medo de novas crises, acompanhado de um sofrimento significativo.

Frequentemente os pacientes que chegam a tratamento foram encaminhados por médicos que avaliaram seus sintomas e não encontraram questões orgânicas que os justificassem. É comum a pessoa já ter passado pela emergência de alguns hospitais e nada orgânico ter sido encontrado. Desta forma levanta-se a hipótese de que questões emocionais estejam envolvidas e é necessário um olhar mais atento para isto.  A psicoterapia de orientação psicanalítica, junto com um tratamento farmacológico, é a indicação para estes casos.

Em alguns casos e dependendo do sofrimento do paciente, apenas o tratamento psicoterápico pode ajudar. O trabalho com estes pacientes se detém em investigar as possíveis causas emocionais de todos estes sintomas e toda a angústia que vem lhe mobilizando. Causas emocionais que estão “escondidas” dentro da pessoa, mas que com o tempo e com uma disponibilidade para tratamento são possíveis de serem encontradas. O reconhecimento de alguns sentimentos auxilia  e muito para que o corpo comece a deixar de ser o palco de suas emoções. Na medida em que o paciente vai se apropriando do que realmente lhe angustia, as crises vão diminuindo.

É comum o medo de ter novas crises perdurar por um tempo maior. Entretanto, é fundamental a compreensão de que o paciente não irá morrer por este motivo, conscientizando-se de que as causas são emocionais e o foco, então, será reconhecer aquilo que realmente está lhe despertando tanto medo.