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TEU AMOR ME FAZ ENLOUQUECER

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Por Aline Nunes Engelke, Psicóloga – CRP 07/018948

Que amor que faz enlouquecer? Como saber a medida certa para amar alguém, e ambos não enlouquecerem? Como o amor pode levar à loucura? Grande polêmica falar de amor e sua medida. Essas e tantas outras perguntas, sobre esse sentimento tão único, vêm sendo apresentada pelas artes como forma de transbordar e elaborar. Muitas vezes, se faz necessário o auxilio de um psicoterapeuta para auxiliar a compreender as facetas do amor que experimentamos.

Na música Ritmo Perfeito, cantada por Anita, é possível relacionar o amor inicial, vivido com a mãe, para o amor relacionado com outras pessoas, segue um trecho:

“Sei lá, o que será que você tem

Só sei que isso me faz tão bem

Não canso de te admirar, reparar, sem parar

Sei lá, será que é só um sonho bom

Quem sabe você tem o dom

O que há de bom em me amplificar

O Jeito que você me olha

No nosso ritmo perfeito

E quando você vai embora

Mas volta pra me dar um beijo

Teu jeito simples de dizer

Que sou especial

Só pra me convencer

Que tudo é natural, Wow!”

O amor é um sentimento primitivo, encontrado no olhar de encantamento de uma mãe pelo seu bebê. Acolhido por este olhar, o bebê começa a se constituir como um ser.  Com o tempo, o bebê torna-se capaz de afirmar sua própria individualidade e até mesmo de experimentar um sentimento de identidade pessoal (WINNICOTT). Sem dúvida, essa primeira relação com a mãe será a base e estrutura para seu desenvolvimento e suas relações futuras. Assim como a segurança e confiança básica, que vai se estabelecendo num constante vai e vem como demonstrado na música de Anita, no trecho: “E quando você vai embora, Mas volta pra me dar um beijo”.

O ritmo perfeito é aquele em que a mãe será suficientemente boa. Winnicott teoriza que a mãe que ama, que atende às necessidades do seu bebê, também necessita falhar, frustrar e isso acontece naturalmente. Na canção citada poderíamos comparar com a medida certa do prazer. Esta dosagem de amor e frustrações vai auxiliando o ego primitivo do bebê a ir amadurecendo para lidar com situações futuras, e assim “amplificá-lo”.

Contudo, o amor desmedido, sem ritmo acaba por enlouquecer. Torna-se invasivo, sem respeitar o espaço do outro, assim como, o amor que se diz libertador, mas que beira a negligência. Na relação analítica é possível reviver essas primeiras impressões do mundo, e ajudar a se relacionar de forma mais saudável.