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Terapia Vincular ( Psicanálise de Família e de Casal): um breve histórico.

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Por Rafaela Haas Oliveira Zanini, Psicóloga – CRP 07/14351 e Tanise Gralha Mateus, Psicóloga –  CRP 07/10230

Freud, ao iniciar seu trabalho, ofereceu um novo tipo de tratamento aos pacientes que já não encontravam alívio nos recursos oferecidos pela medicina daquela época (1900). Criou um novo método de tratamento, que chamou de Psicanálise.

Na sua evolução, a psicanálise foi encontrando novas situações e pacientes e se desenvolveu a técnica para atendimento de crianças (cuja psicanalista precursora foi Melanie Klein) e de pacientes com doenças mais graves (como os que sofriam de psicoses).

A partir dessas novidades, percebeu-se que o enquadre individual já não dava conta de inúmeras novas situações. E se fez necessário mais uma evolução, a de incluir pais e familiares no atendimento. Tal situação possibilitou a ampliação do campo da psicanálise, com a teorização sobre os vínculos estabelecidos entre as pessoas e a repercussão deles na vida individual e familiar.

Surgem os primeiros passos da teoria e técnica de “psicanálise vincular”, a psicanálise para tratar especialmente casais e famílias. Como toda novidade, críticas e resistências surgiram, e, paulatinamente, o que era considerado como uma aplicação da psicanálise individual,  passa a possibilitar o atendimento dos casais e famílias, e foi encorpando-se e dando espaço para uma técnica específica, com conhecimentos teóricos e estudos pontuais sobre os fenômenos inconscientes ocorridos somente em casal ou família.

Por conta disso, hoje, temos uma teoria especifica, apoiada nos pilares da psicanálise, voltada para o entendimento das complexas situações familiares. O indivíduo, dentro dessa perspectiva, é entendido como sujeito do inconsciente e dos vínculos  nos quais se constitui.

Na perspectiva vincular (psicanálise de casal e família) o individuo é pensado de modo multidimensional, o centro do atendimento não é mais o indivíduo e seu mundo interno e sim o VíNCULO, que são os laços  inconsciente entre os sujeitos e que só acontece quando estão juntos.

Pensando de acordo com essa perspectiva, o entendimento dos conflitos adquire uma nova coloração, as dificuldades conjugais e familiares podem ser analisadas sob um novo entendimento, quando as motivações inconscientes são pensadas na presença de ambos os cônjuges ou familiares e entendidas dentro deste funcionamento.

A busca da terapia por um casal é normalmente movida pelo sentimento de desconforto, sofrimento, de um ou ambos os cônjuges ou familiares. A busca por alivio, melhoria das possibilidades de diálogo e entendimento é o motor que propulsiona o início de um atendimento vincular. A partir da melhoria na qualidade da comunicação, decisões difíceis podem ser tomadas com mais clareza e discernimento, desde o divórcio, a guarda dos filhos até a decisão de ter um bebê ou realizar uma viagem.

A frequência das sessões deve ser estabelecida junto ao psicoterapeuta, pensando sempre que a frequência semanal é mais produtiva. A data de encerramento do tratamento (alta) também será definida em conjunto, pois cada casal ou família é uma estrutura única e responde de forma particular, assim como os objetivos de cada dupla.

A psicanálise vincular tem, como objetivo principal, auxiliar a significar os conflitos, brigas e desentendimentos, buscando entender o motivador inconsciente, clareando e contextualizando dentro da relação conjugal  ou familiar. Possibilita, então, mostrar o que cada conflito desperta, como cada cônjuge reage, a partir da sua história, das suas vivências individuais, e como essas situações refletem  na relação conjugal ou familiar.