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Saúde mental para os profissionais de cuidados em saúde: o front das epidemias

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Por Fernanda Thones Mendes, Psicóloga – CRP 07/13782

Diante de um momento sem precedentes não dispomos de estudos anteriores capazes de nortear nossas ações, além das atuais constatadas pelos primeiros países afetados pela COVID-19, bem como epidemias mais recentes como a SARS-2002 ou MERS-2012. Epidemias de anos muito anteriores ao nosso, apenas nos trazem a história de como nossos ancestrais a vivenciaram e representaram, como por exemplo, a chamada gripe espanhola e todas as suas consequências e impactos gerados. No entanto, naquela época não haviam estudos capazes de dimensionar o que aconteceu cientificamente.

Além da ansiedade gerada pelo novo Coronavírus frente à imprecisão que nos traz, muitas pessoas acabam reagindo a tudo isso de uma forma fria, não conseguindo dar a devida atenção para a dimensão dessa pandemia, ou mesmo tentando minimizar os seus efeitos. De um outro extemo aparece o agravamento de patologias anteriores como transtornos depressivos, ansiosos, muitas vezes nem devidamente tratados que acabam por gerar ainda mais sofrimento e dor.

Profissionais de saúde são treinados a lidar com situações críticas, trabalhando em ambientes de extrema complexidade como as unidades de terapia intensiva, as U.T.Is, onde estão acostumados a adiar a morte. No entanto, no atual quadro de limitações, veem se diante de várias conflitivas, as quais envolvem a rápida disseminação da doença. Dentre elas a escassez de recursos, como por exemplo, dos equipamentos de proteção individual – EPIS, da necessidade de isolamento social mais intenso, principalmente de suas famílias para a proteção das mesmas, bem como do impasse de priorizar o adiamento da morte para um paciente em detrimento de outro em poucas horas. São muitas vezes assolados por uma sensação de fracasso frente ao insucesso na luta pela vida ao qual juraram buscar incansavelmente. Mesmo embasados em decisões regidas por protocolos médicos, acabam sendo envolvidos inevitavelmente em seu mais íntimo subjetivo tanto profissional, como quanto pacientes, quando precisam se ver muitas vezes do outro lado da relação.

Não sabemos com exatidão a respeito dos impactos dessa pandemia, mas sabemos que altos níveis de traumas aos profissionais de cuidados em saúde os acompanharão ao longo de meses após o surto, por isso a necessidade de logo já irmos pensando em terapêuticas e modalidades possíveis a serem oferecidas aos mesmos.

Segundo o Dr. Huremovic, autor de “Psychiatry of Pandemics” ainda não existem orientações para lidar com a atual realidade e nesse sentido nos motiva a realizar pesquisas e estudos que deem conta de nossas emoções e o endereçando das mesmas. Sugere o trabalho, com Grupos Balint para equipes de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais cuidadores, buscando trabalhar a relação médico-paciente. Ele destaca a necessidade de um trabalho de prevenção e tratamento do sofrimento psíquico, com a criação de espaços de fala para esses profissionais em hospitais, criando novas modalidades de tratamento com uso de telecomunicação, além de plataformas –softwears – para o suporte desses profissionais. Essas medidas buscam auxiliar nas relações médico-paciente, nas respostas emocionais, como forma até mesmo de superar a distância pessoal, causada pelo isolamento social. Para isso enfatiza que precisamos dar suporte as nossas comunidades, quebrando os muros do isolamento e assim estabelecer outras formas de comunicação, oferecendo esperança, ajuda e perspectivas apesar do luto e da dor que inevitavelmente enfrentaremos.