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Redes sociais: mundo virtual X mundo real

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Por Anna Paula Luz Flores , Psicóloga e Psicanalista – CRP 07/04536

A falta de tempo é um problema que acomete a maior parte da população mundial. Com isso, a interação entre as pessoas está cada vez mais virtual, uma vez que o mundo virtual é mais rápido, mais direto e imediato. Além disso, a todo o momento um novo dispositivo de relacionamento virtual é criado, o que facilita e estimula esse tipo de interação social, havendo cada vez maior variedade de meios de comunicação virtual.

Tais formas de relacionamento são importantes e facilitam a vida moderna e rápida na qual estamos inseridos. São capazes de diminuir distâncias entre pessoas que vivem longe e acelerar a comunicação. Geram oportunidades de reencontros, globalizam o acesso a informações e permite que haja também um movimento politizado das redes sociais, que promovem inclusive a mobilização de grandes grupos em favor de uma causa. Podemos dizer que essa tecnologia passa a desempenhar um papel muito importante, permeando os modos de vida e interferindo nos padrões de relacionamento entre as pessoas.

No entanto, verifica-se que o contato físico entre as pessoas está diminuindo e, como a internet vem se mostrando cada vez mais presente no dia-a-dia das pessoas, a relação do indivíduo com essa ferramenta é considerada essencial, podendo-se dizer que estar conectado é preciso.

Mas, até que ponto isso interfere na vida do sujeito?  Até onde esse tipo de relacionamento pode ser considerado real? Ou até onde alguém transfere, de forma prejudicial, seus relacionamentos pessoais para os virtuais? Chama a atenção os reflexos dessa relação sobre a realidade do sujeito, a mescla de realidade virtual e realidade psíquica, uma vez que esses fatores propiciam diferentes mudanças no contexto da vida  humana.

Através das redes sociais, é possível perceber que, cada vez mais, as pessoas necessitam da opinião e aprovações dos outros, a respeito delas mesmas. O principal comportamento observado é uma diminuição da vida social, assim como a perda do interesse de realizar atividades que não sejam mediante um computador. São canais que trazem prazer e preenchem uma lacuna na vida da pessoa como a falta de contato com outros seres humanos. Com isso, é possível que a rede contribua para que o usuário permaneça mais tempo isolado e faça deste ambiente virtual sua fuga, muitas vezes perdendo o interesse pela realidade, e buscando, através do virtual, realizar suas próprias fantasias.

Pode parecer mais fácil se relacionar no mundo virtual do que no real, por vários motivos: o sujeito pode idealizar quem é ao invés de se mostrar, pode criar um personagem de acordo com o que ele acredita que o outro espera dele, escondendo assim seus sentimentos, pensamentos verdadeiros e emoções, mostrando apenas aquilo que imagina que o outro almeja.

Por trás dos relacionamentos virtuais podem existir pessoas com dificuldades nas relações interpessoais, como uma timidez excessiva, medo ou insegurança de se expor ao outro. Por isso, a virtualidade se torna uma forma de refúgio. Um indivíduo com propensão à depressão ou fobia social, por exemplo, tende a usar as redes de forma dependente e a pessoa procura fazer daquela prática sua evasão dos problemas. No entanto, a dependência à internet não é identificada pela quantidade de tempo gasto na rede, mas sim nas coisas que foram deixadas de lado para que o usuário permanecesse conectado. O problema não é a ferramenta, mas o mau uso que pode ser feito dela.

A interação direta com o outro permite que os indivíduos se sintam pertencentes a algum grupo real. A ausência disso gera relações cada vez mais distantes e impessoais, e o consequente sentimento de solidão. É dessa forma, presencial, que a nossa rede de apoio, geralmente formada pela família e amigos próximos, fornece suporte emocional para lidarmos com os problemas que surgem ao longo da vida.

Para tudo existe um Equilíbrio! A vida virtual promove inúmeras recompensas, porém, não deve se tornar uma fuga para aumentar o distanciamento entre as pessoas e, consequentemente, exacerbar as dificuldades de cada um. O importante é sabermos utilizar, a nosso favor, os benefícios que cada tipo de relacionamento promove, de modo que possamos viver mais plenamente e com maior satisfação.