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QUANDO DEVO USAR MEDICAÇÃO

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Por Rodrigo Ritter Parcianello, Médico – CRM 38478

Os psicofármacos (medicamentos que atuam no sistema nervoso central) são, sem sombra de dúvida, um dos recursos terapêuticos mais utilizados na atualidade, não só no tratamento dos transtornos mentais, como também no dia a dia da prática médica geral.

Sabe-se hoje, através de estudos científicos, que a farmacoterapia (terapia com medicamentos) objetiva a melhoria da qualidade de vida, seja através do tratamento agudo ou crônico de transtornos psiquiátricos ou mesmo apenas no alívio de sintomas indesejáveis.

Evidentemente, seria melhor que vivêssemos sem essas substâncias ou qualquer outro tipo de medicamento, tais como anticoncepcionais, anti-hipertensivos, vitaminas entre outros.  Seria desejável também que ninguém precisasse usar óculos, e assim por diante. Entretanto, a medicina tem avançado o suficiente para fazer com que o diabético tenha uma vida bastante próxima do normal, assim como o reumático, o hipertenso e o míope. Da mesma forma ansiosos, deprimidos e bipolares.

De um modo geral, os medicamentos estão mais indicados, assim como outros tipos de terapia biológica, na proporção em que os elementos constitucionais predominam sobre os ambientais na causa do transtorno em pauta. Em outras palavras, quanto mais molecular, químico, orgânico, genético, metabólico e outros aspectos físicos predominarem sobre as causas emocionais, maior será a utilidade dos medicamentos em psiquiatria.

Sendo assim, a condução da psicofarmacoterapia (terapia com psicofármacos) deve ser norteada por alguns princípios básicos, tais como: benefícios terapêuticos, objetivos a serem alcançados, duração do tratamento, viabilidade de prática (posologia, preço, supervisão de administração, possibilidade de uso crônico, orientação minuciosa do paciente e familiares /cuidadores) bem como efeitos colaterais prejudiciais.

Antecedentes familiares, personalidade pré-morbida, grau de prejuízo funcional, nível de inadequação dos sintomas e fatores desencadeantes relacionados são elementos fundamentais para serem avaliados antes de iniciar um tratamento farmacológico.

Por outro lado, em um cenário complexo de manifestações psíquicas, diversas pessoas criam grandes expectativas em relação ao uso desses fármacos acreditando que podem solucionar grandes conflitos que pouco tem a ver com seu diagnóstico psiquiátrico.

Embora a psicofarmacoterapia possa ser útil em diversos casos, ela poderá ser insuficiente nos pacientes que necessitam adaptar-se a alguma vivência traumática, como é o caso da perda de um ente querido, e será indispensável naqueles casos, cujo estado emocional atual reflete um componente biológico, como acontece em determinadas depressões graves sem uma causa vivencial proporcional detectada. Em situações em que a pessoa está reagindo patologicamente às vivências expressivas, a associação da psicoterapia à psicofarmacoterapia é de fundamental importância.

Apesar de termos acesso fácil a todos os tipos de informações nos dias atuais, muitos ainda levam consigo conceitos remotos desse tema. É muito questionado se medicamentos viciam, deixam-nos dopado, causam dependência ou ainda se funcionam plenamente. Todas essas dúvidas precisam ser cuidadosamente respondidas, pois dependem da classe do medicamento, da indicação do uso, adesão ao tratamento e ainda da expectativa do sujeito.

A automedicação e uso abusivo de medicamentos são fenômenos mundialmente observados. No Brasil, em 1988 já se verificava que quase metade (48,4%) dos medicamentos utilizados era adquirida sem prescrição médica. Sabe-se que o uso inadequado de medicamentos psiquiátricos podem trazer mais prejuízo do que benefício em muitos casos. O uso inadequados de antidepressivos, por exemplo, em indivíduos com transtorno de humor bipolar pode induzir drástico prejuízo cognitivo e social. Sendo assim é de extrema importância fazer um diagnóstico preciso nesses pacientes.

Portanto uma avaliação psiquiátrica cuidadosa é um bom começo para evitarmos o uso indiscriminado desse complexo universo psicofarmacológico.