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QUANDO BUSCAR UM PSICÓLOGO INFANTIL

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Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

Apesar das crianças apresentarem uma grande capacidade de adaptação à mudança, os problemas psicológicos na infância têm se tornado cada vez mais frequentes. Tal fato é explicado pela exacerbada sensibilidade das crianças para se ressentirem com as situações adversas a que são expostas e sobre as quais não possuem controle algum.

Determinados comportamentos manifestados pelas crianças indicam claramente que algo não vai bem. Em geral, mostram sua angústia direta e claramente através do comportamento: ficam zangadas, batem, choram ou apresentam outros comportamentos marcantes e também pelo que comunicam verbalmente. Às vezes, no entanto, essa comunicação ocorre de maneiras mais sutis, como por exemplo, ficando muito quietas ou retraídas (um comportamento aparentemente não-problemático), letárgicas, podem ficar relutantes em brincar com outras crianças ou, inclusive, mostrando ausência de imaginação (fantasia) quando estão brincando. Além disso, comer demais, demonstrar muita sensibilidade, chorar facilmente, ter dificuldade em fazer amigos, baixo desempenho escolar, fazer xixi na cama, ter expressões de raiva, agredir irmãos e colegas e queixar-se de dores (cabeça, barriga, etc.) sem justificativa orgânica mostra claramente a necessidade de buscar ajuda profissional.

A maioria dos pais que se vêem diante desses sintomas em seus filhos hesita antes de pedir ajuda profissional. Costumam pensar que é apenas uma fase e que vai passar. Quando os pais esperam demais para procurar auxílio psicológico, o problema da criança pode agravar tornando assim o tratamento mais complicado e demorado.

A identificação de um distúrbio psicológico nesta etapa da vida pode ser dificultada, uma vez que a definição de “qual comportamento é considerado problema” depende de normas sociais que, geralmente, são arbitrárias e relativas. É o contexto social no qual está inserida a criança que determina o que é considerado problema, ou não. Geralmente, um comportamento é considerado problemático por ocorrer com uma freqüência ou intensidade que os adultos (pais, professores, pediatras…) julgam ser muito alta ou muito baixa. Dessa forma, não é o comportamento em si que define o problema, mas sim, se ele está ocorrendo de forma deficitária ou excessiva em relação às outras crianças da mesma faixa etária e nível de desenvolvimento causando à criança dificuldades de ajustamento emocional e/ou social.

Existem diversas formas de classificar os distúrbios psicológicos da infância. Porém, mais importante do que classificar é identificar e tratar adequadamente. Assim, devemos ficar atentos à ocorrência dos seguintes comportamentos, pois faz parte dos principais problemas apresentados pelas crianças que necessitam ser encaminhadas para uma avaliação e/ou tratamento psicológico: mau desempenho escolar, dificuldades de fala, imaturidade, agressividade, brigas constantes, medos, ansiedade, quietude, timidez, choro excessivo, pesadelos, sonambulismo, dificuldades alimentares, masturbação excessiva, tiques, enurese, encoprese e queixas somáticas como dores de cabeça e de estômago. É importante enfatizar que tais comportamentos são APENAS indicadores da existência de problemas infantis; portanto necessitando de uma melhor avaliação de um profissional especializado.

Muitas vezes, os pais hesitam em procurar ajuda para seu filho por acreditarem que a psicoterapia é um processo que envolve um longo período de tempo, anos talvez, o que nem sempre é verdadeiro. Quanto mais cedo os pais procurarem ajuda, menos tempo e dinheiro despenderão com o tratamento. E, o mais importante, abreviarão o sofrimento da criança. A maioria das dificuldades infantis pode ser tratada num período relativamente curto de tempo, de seis meses a dois anos, dependendo do tipo de problema e do nível de envolvimento e participação dos pais.

Finalizando, uma psicoterapia bem conduzida, na qual os pais também participam do processo, pode beneficiar muito a criança, reduzindo seus problemas e transtornos, como também auxiliando num desenvolvimento emocional saudável. Escolher um profissional com formação especializada no atendimento de crianças é fundamental para um tratamento bem-sucedido. Por último, é importante ressaltar que a participação dos pais é essencial para ajudar o terapeuta a auxiliar a criança.