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Psicoterapia online: debates sobre relações entre paciente e terapeuta na Era Digital

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Por Maria Cláudia Mano Gonçalves, Psicóloga – CRP 07/12813


A Era D
igital vem revolucionando a forma de se comunicar, tornando possível estabelecer conexões com pessoas que estão em lados opostos do mundo. Em uma geração onde as relações são cada vez mais intermediadas virtualmente, é de se esperar  que essas tecnologias chegassem também aos consultórios!  

A internet é um fenômeno que veio com rapidez e intensidade, e logo se inseriu nas relações entre paciente e terapeuta, através de mensagens, whatsapp e outros aplicativos. A evolução tecnológica, a melhora na velocidade e estabilidade das conexões possibilitou a prática da psicoterapia online.

Várias questões são colocadas em discussão, principalmente, sobre qual seria a interferência desta comunicação virtual para a relação entre esta dupla e para os rumos do tratamento. Ainda que a relação online e frente-a-frente apresentem algumas diferenças, pesquisas têm demonstrado que isto não é significativo nos resultados dos tratamentos.

Por outros lado, a possibilidade de um maior alcance da psicoterapia a pessoas que a desejem, assim como relatos bem sucedidos destes atendimentos, tem diminuído cada vez mais a oposição a este formato de tratamento. Aliado a isto, os constantes avanços tecnológicos, bem como os ajustes nos códigos de ética profissionais para validar e regulamentar o atendimento psicológico online, tem reduzido as ressalvas em relação a esta prática.

Entretanto, é necessário termos alguns cuidados antes de iniciar uma psicoterapia através de ferramentas digitais para que não ocorra prejuízos ao processo. Antes de qualquer coisa, é necessário que as duas partes sintam-se confortáveis com esse modelo de atendimento; ambos necessitam estar em um local com privacidade, e terem acesso a uma boa conexão de internet.

Além das combinações usuais do tratamento psicoterápico, algumas outras necessitam ser incluídas, entre elas: qual plataforma será utilizada, como agir em caso de queda ou falha na comunicação, como lidar com uma situação de emergência, como serão feitos os pagamentos, etc.

Em 2018 o Conselho Federal de Psicologia publicou a  Resolução CFP nº 11/2018, que atualiza a Resolução CFP nº 11/2012 sobre atendimento psicológico online e demais serviços realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância. Esta resolução autoriza e regulamenta tais modalidades de atendimento. Primeiro, condiciona a realização de um cadastro prévio junto ao Conselho Regional de Psicologia e sua autorização de quaisquer modalidades desses serviços. Além disso, obriga os profissionais a especificarem quais são os recursos tecnológicos utilizados para garantir o sigilo das informações e esclarecer o paciente sobre isso.

Este ainda é um tema controverso entre os psicoterapeutas e, embora tenha cada vez mais adeptos, ainda existem questionamentos. Vivemos em uma sociedade dinâmica, que nos impõe a todo momento questionar, adaptar e reinventar. A sociedade não á mais a mesma, assim como nossos pacientes também não são. Sendo assim, é necessário que nós, como psicoterapeutas possamos desenvolver maneiras de acompanhar as mudanças sem abandonar os princípios teóricos, técnicos e éticos que fundamentam a nossa prática.