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Psicoterapia na terceira idade

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Por Denise Helena Müller de Ávila , Psicóloga  – CRP 07/01582

Freud (Obras Completas, vol.VII), referindo-se às muitas restrições técnicas na sua seleção para o tratamento analítico assinalou que “os velhos” carecem de plasticidade dos processos anímicos, não são educáveis e que o acúmulo de material psíquico prolongaria em demasia a análise. Essa crença foi obstáculo para que demorasse tanto tempo para evoluir o trabalho psicanalítico e psicoterápico na terceira idade.

Os psicanalistas que se dedicaram, ao longo do tempo, a trabalhar com a terceira idade tiveram resultados positivos. Consideram que a relação psicanalítica é um valioso recurso quando há uma interrupção do processo de envelhecimento com doenças e depressão e que a psicoterapia é de grande ajuda nestes casos.

Com o avanço das ciências, estamos vivendo mais e com maior qualidade. As pessoas da terceira idade continuam produtivas, atuantes e bem sucedidas. Procuram recomeçar no trabalho, nas relações afetivas e sociais. São diferentes daqueles do tempo de nossos avós. Buscam uma identidade própria, um novo visual, havendo também a busca pela manutenção da autoestima.

Hoje se busca um segundo momento na vida, mais adulto, mais maduro, com maior autonomia. Uma tentativa de lutar contra as repressões do passado impostas aos idosos, principalmente quanto às manifestações dos desejos e satisfações das necessidades humanas como a diversão, a busca do prazer, a revisão das relações amorosas existentes ou a busca de novas, ocorrendo também novos conceitos sobre a sexualidade.

Mas esta busca pode trazer muita ambivalência, dúvidas, angústias, medos, causando sentimentos depressivos e/ou sintomas psicossomáticos. Aqui entra a psicoterapia. Ela vem para abrir um espaço onde o indivíduo possa expor todos estes sentimentos, falar, se ouvir, ser ouvido, pensar… A experiência obtida no processo psicoterapêutico estimula os novos aprendizados, o autoconhecimento, o pensamento e a criatividade.

Em cada fase da vida, desde o nascimento até a morte, enfrentamos uma constante batalha emocional. A passagem de uma fase para outra (criança, adolescente, adulto jovem,…) sempre implica em perdas, podendo envolver ansiedades e depressões. No envelhecimento não é diferente. A diferença é que agora, ao contrário do que se pensava no início de século passado, o envelhecimento é apenas mais uma fase e não o final da vida.