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Porque fazemos psicoterapia nos dias de hoje

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Por Fernanda Thones Mende, Psicóloga – CRP 07/1378

Quando se busca um tratamento Psicológico, deseja-se solucionar o não resolvido, processar o que não foi digerido. Vai-se em busca do alívio de algo que nos perturba, ao menos para entender o porquê toleramos essa ou aquela dor. Na maioria dos casos acaba-se por procurar a ajuda numa conversa entre amigos, em uma vida social agitada, mesmo em redes sociais, na busca de fama e narcisismo que nos distraia, ou na religião que aquiete de forma “imediata” e às vezes mágica nossos temores mais secretos. No entanto, muitos de nós não resolvemos nossos conflitos originais como deveríamos, e com falhas importantes usamos métodos superficiais, via dores no corpo físico, ao culto desenfreado do corpo plástico sem afetos e aconchegos ou a vivências que relutam bastar-se num mundo de imagens. Doenças mais graves não relutam em ser as vias mais comuns que nos levam a buscar um especialista.

Tratado o sintoma físico, na maioria das vezes, percebemos que a angústia continua lá, com os mesmos temores a sua volta! É então que percebemos que aquela “sirene” que parecia silenciada por uma vida aparentemente realizada, volta por outros meios tentar ser ouvida. O que muitos não sabiam é que cada vez mais a ciência comprova: a Psicoterapia não consiste apenas numa “boa conversa”, enquanto uma ajuda subjetiva e fruto de um bom vínculo humano com nosso terapeuta. Novos estudos, com recursos tecnológicos avançados, tem mostrado uma base neurológica muito similar ao modelo que Freud, médico austríaco neurologista e o pai da Psicanálise, usava para explicar a formação de nossos sintomas. A Psicoterapia que conhecemos hoje proporciona não apenas uma nova forma de ver a vida, mas sim uma transformação neurológica significativa capaz de gerar tal consequência.

Tal teoria, que baseia a Psicoterapia Psicanalítica, é capaz de analisar e tratar o padrão de funcionamento típico e disfuncional, que muitas vezes baseiam tantas derrotas, paralisias, padrões sexuais desadaptados, perdas ou mesmo aquele padrão mais avançado de síndromes de pânico, fobias, transtornos obsessivo compulsivo- TOC.

Cada vez mais, o método do médico austríaco para o tratamento de tantos traumas mostra sua eficácia neurológica através de comprovação tecnológica avançada nos dias atuais. Cientistas da King’s College, em Londres, e da Universidade de Melbourne descobriram, utilizando escâneres cerebrais, que o estresse psicológico pode ser o responsável por sintomas físicos sem explicação, como paralisias e convulsões, por exemplo. Nessa pesquisa, pacientes apresentaram diferenças na atividade cerebral quando tiveram lembranças traumáticas comparados com voluntários saudáveis em um estudo publicado na revista JAMA Psychiatry. Freud, diante de uma desordem de conversão, por exemplo, buscava no entendimento do trauma suprimido através da psicoterapia, uma forma de relembrar e reprocessar essas lembranças para aliviar os sintomas. Ainda que Freud não tivesse as ferramentas (tecnologia avançada em sua época), para explorar os mecanismos mediante os quais podia ocorrer a desordem da conversão, ele “acertou o conceito”, disse John Speed, professor de medicina e reabilitação física na Universidade de Utah em Salt Lake City. Segundo ele “A conversão é simplesmente uma manifestação física muito incomum e mais grave do estresse, na qual há um bloqueio de mensagens do ou para o cérebro”.

Segundo Freud, quando vivemos experiências traumáticas, “eventos emocionalmente dolorosos, os bloqueamos para fora de nossas consciências”. Este mecanismo de autoproteção, podia criar sintomas de várias formas dependendo da origem dos nossos conflitos, ou até mesmo conforme nosso temperamento-componente genético herdado que em interação com o ambiente (início das primeiras relações mãe-bebe-família) determinam nossa personalidade ou tendência a como  podemos viver esse estresse. Por isso a necessidade da analise detalhada para entende-lo e tratá-lo.  A neurociência mostrou que as principais estruturas cerebrais essenciais para a formação de memórias conscientes não são funcionais durante os dois primeiros anos de vida, explicando o que Freud chamou de amnésia infantil. Como supôs Freud, não é que tenhamos esquecido nossas lembranças mais antigas; simplesmente não conseguimos trazê-las à consciência. Mas essa incapacidade não as impede de afetar os sentimentos e o comportamento adultos. Seria difícil encontrar um neurobiólogo que não concorde que as experiências da primeira infância, principalmente entre mãe e bebê, influenciam o padrão das conexões cerebrais de modo a moldar nossa personalidade e saúde mental futura. Apesar disso, não é possível lembrar-se dessas experiências conscientemente. Fica cada vez mais claro que boa parte de nossa atividade mental é motivada pelo inconsciente e para acessa-la, apenas a psicoterapia possui as ferramentas corretas.

Quando vivenciamos situações traumáticas, em nossas vidas, automaticamente congelamos sua informação e a armazenamos como podemos. Sem uma explicação lógica ou consciente, esses resultantes de informações não processadas por nosso cérebro, muitas vezes acabam sendo convertidos em variados sintomas, como por exemplo, medo de avião, de elevador…. O aparato executivo da mente (o ego) rejeita iniciativas do inconsciente (o id) que estimulam comportamentos incompatíveis com nossa concepção civilizada de nós mesmos. A repressão é necessária porque esses impulsos se manifestam na forma de paixões incontroláveis, fantasias infantis e compulsões sexuais e agressivas. Quando a repressão não funciona, dizia Freud até sua morte, em 1939, surgem as doenças mentais: fobias, ataques de pânico e obsessões. O objetivo da psicoterapia, portanto, consiste em rastrear os sintomas neuróticos até suas raízes inconscientes e aniquilar seu poder através de sua confrontação com a análise madura e racional. Conforme as pesquisas sobre a mente e o cérebro se sofisticaram, a partir da década de 1950, os especialistas se deram conta de que as evidências fornecidas por Freud eram bem tênues. Seu principal método de investigação não era a experimentação controlada, mas a simples observação de pacientes no cenário clínico, combinada a inferências teóricas. Os tratamentos com remédios ganharam força, e a abordagem biológica das doenças mentais deixou a psicanálise nas sombras. No entanto, por mais necessária que se faça o uso de medicação, sabe-se que o exercício de reabilitação do cérebro possibilita uma compensação natural e não artificial da parte área/função em falha (permitindo atividade e não passividade), pois a psicoterapia permite a busca da causa e trabalha não apenas seu início mas sim a sua solução.

Por mais que nossa sociedade nos mostre que o que importa é o mostrar-se bem em imagens de felicidade e realização, são as questões inconscientes que na maioria define quem somos. Enquanto essas imagens internas estiverem em preto e branco nunca partiremos para seu colorido verdadeiro. O que sofremos e como podemos sofrer menos depende de uma decisão e da técnica psicoterápica tanto estudada e fundamentada. Pense nisso, nos procure e seja feliz! Você merece o todo e não apenas a metade!