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PERDA: UM SENTIMENTO QUE DEMORA A PASSAR

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Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

Perda é um acontecimento recorrente na vida das pessoas e desperta uma série de sentimentos e reações. Não falamos aqui somente da morte de um ente querido,   mas de perdas em geral:  o rompimento de uma relação, a perda de um trabalho ou posição social; enfim perdas decorrentes de quaisquer situação da vida, sejam estas da ordem de relacionamentos afetivos, situações ou objetivos. Todas elas despertam um luto, geram um sofrimento decorrente da dificuldade em aceitar  e conviver com a nova realidade, que se apresenta.

Freud em seu texto Luto e Melancolia, explica como o psiquismo lida com as perdas e porque este processo é tão doloroso. Este não é em si um processo patológico. A dor precisa ser vivenciada, mas deve ter um tempo finito. Se esta reação começar a estender-se demasiadamente e causar outros prejuízos para a pessoa, temos os casos de luto patológico.

No luto, haverá um grande investimento nas lembranças que envolviam a pessoa ou situação perdida , mas a realidade mostrará a ausência. Isto exigirá a retirada da libido, do investimento afetivo que existia na relação ou situação. Uma vez terminado o processo, o eu volta a funcionar sem inibições. Este não é um processo fácil!

O processo de luto é caracterizado por um estado de ânimo profundamente doloroso. A pessoa poderá sentir-se triste, desligada da realidade, atordoada, desamparada , imobilizada, perdida, enraivecida, etc… Poderá afastar-se das pessoas e atividades,  sentir falta de interesse, dificuldade de concentração, insônia, perder ou ganhar de peso . De forma geral ocorre uma suspensão do interesse pelo mundo externo e uma inibição geral das capacidades para realizar atividades. Geralmente a pessoa busca atividades que fazem lembrar aquilo ou  quem foi perdido. Busca nas pessoas à sua volta, aquele que se foi. Tenta reproduzir as situações antigas, reviver experiências passadas, para evitar o sentimento de perda. Durante o processo de luto, tudo continua existindo de forma imaginária ou fantasiosa.

Estas reações descritas são esperadas , mas precisam dar lugar a uma nova situação, que permita ao indivíduo, abandonar a ideia de recuperar aquilo que perdeu e adaptar-se. Deverá  realizar novos investimentos, em novos relacionamentos e objetivos. Deverá vivenciar a relação ou situação perdida, através de registros de memórias amenas.

Existem situações onde o processo de luto não segue a evolução descrita. Reações emocionais desajustadas ou o adoecer físico e psíquico   apontam o luto patológico. A pessoa sente a experiência como incapacitante. A vida desorganiza-se de forma significativa. Os sintomas descritos como parte do luto normal, ocorrem de forma demasiado intensa e por um período também muito extenso; algo que marca a diferença entre o luto normal e o luto patológico.

O processo de luto é profundamente doloroso. A psicoterapia é um recurso onde o paciente pode expressar sua dor, e promover  o desenvolvimento de recursos, que permitam superar a perda e retomar a vida.