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PENSANDO SOBRE CIÚMES

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Por Denise Helena Müller de Ávila , Psicóloga  – CRP 07/01582

Ciúmes é um sentimento de posse de alguém ou de alguma coisa. É o desejo de ter a posse na disputa com um rival. O comportamento ciumento é qualquer conduta para manter a posse.

O ciúme aparece na criança desde muito cedo pelo medo de perder seu objeto de amor que é a mãe e também na relação com o pai e com os irmãos. Ocorre porque a criança é totalmente dependente da mãe e entende que esta é só dela e vai lhe satisfazer todos os desejos que, no início da vida, são cuidados de alimentação, higiene e afeto. Não ser satisfeita pode significar para a criança não ter o amor da mãe: “…eu não possuo todo o objeto de amor ou não possuo todo o amor do objeto amado…” porque alguém (o rival, o pai, o irmão) rouba e não porque é impossível. Em algum momento a criança vai chorar e a mãe não vai poder atendê-la imediatamente e esta frustração pode gerar medo e insegurança.

O ciúme é projetado no rival, aquele que na ótica do ciumento ganhou a disputa ou está em vias de ganhar. O rival é idealizado, tem ou é o que o ciumento pensa que não tem ou não é. Na verdade o ciúme é uma tentativa de controle: duas coisas impossíveis, ter a posse e o controle total do outro

Sabemos que todos sentimos ciúmes, faz parte do amor, de nossos medos e inseguranças. Mas o ciúme também pode gerar ódio e ressentimento quando mais intenso e incontrolável.

Algumas pessoas ficam transtornadas pelo ciúmes, fantasiam situações tais como: “O que o outro está fazendo?”, “O que o outro está pensando?” A pessoa se alia à fantasia na qual ela é muito vulnerável e, nesta tentativa de controlar o outro, não dá-se conta de sua vulnerabilidade e desvalorização: “O que eu sou para o outro?”, “O que eu valho para o outro?”. Tais situações podem levar à violência.

É comum ouvirmos que o amor ideal é como o encontro de “duas metades de uma maçã”, onde um completa o outro. É uma retórica idealizada do amor onde um depende do outro para estar inteiro, onde cada um é incompleto. Aí voltamos para a criança pequena que sem a mãe não sobrevive.

São situações como estas que a psicoterapia psicanalítica pode ajudar muito. Buscando entender de onde vêm estes sentimentos tão dolorosos, o que significam e como lidar com eles.