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Onde está minha metade da laranja?

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Por Keylla Jung , Psicóloga – CRP 07/07683

Não é de hoje que acompanhamos mudanças na dinâmica das relações amorosas, a cultura e os costumes refletem diretamente neste contexto. Se décadas atrás, o casamento era uma união que se pretendia para sempre – até que a morte viesse separar – nunca foi necessariamente sinônimo de boa convivência. Hoje esta não parece mais ser uma imposição declarada. Em épocas passadas, não era fundamental existir amor entre os cônjuges, muitos outros motivos poderiam levar ao enlace. Amor sempre foi “artigo de luxo”, sorte daqueles que conseguissem unir as duas coisas. O fato é que encontrar alguém especial com quem compartilhar senão uma vida, o que for possível dela, foi e é um desejo quase unanime independente dos tempos.

Se atualmente, por acreditarmos estar mais livres de julgamentos e rótulos podemos nos permitir procurar um par que faça o coração bater mais forte, por que será que o amor “acontece” para alguns e para outros não? Não é raro conhecermos pessoas que, segundo nossos critérios, teriam tudo para ser feliz no amor e, surpreendentemente, não o são. Inúmeras teorias e explicações são formuladas, no entanto, a melhor resposta sempre estará dentro de nós.

Somos movidos por desejos e ideais, porém nem sempre estamos conscientes acerca das influencias que atuaram sobre eles. Nos construímos a partir de elementos inatos, individuais e das experiências que registramos desde muito cedo em nossas vidas. Nossa personalidade é o resultado desta fusão e um reflexo das inúmeras identificações que vamos estabelecendo com aqueles que participam de nosso desenvolvimento. Internalizamos conceitos, referências e valores também no que diz respeito a amar e ser amado.

Frequentemente pessoas chegam para psicoterapia abaladas por tantas frustrações amorosas. Cansadas de buscar alguém e não encontrar, frustradas pelos encontros e desencontros, desanimadas com a perspectiva da solidão.

Psicoterapia não encontra par para ninguém, mas pode ser uma ferramenta útil. Quando nos tornarmos mais conscientes de nós mesmos, conseguimos analisar e perguntar sobre o ideal que se está perseguindo. Antes de descobrir onde está a metade da laranja é preciso saber o que realmente nos preenche. Qual nossa referência de amor? Como exatamente nos sentimos amados? Que necessidades realmente se quer atender? É fundamental descobrir o que se procura, pois somente assim estaremos mais livres para o amor, na medida em que conhecermos nossas motivações mais bem guardadas. O contrário é sempre o risco de pautar a vida afetiva e os ideais amorosos a partir de elementos disfarçados e razões ilusórias.