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Onde está a pílula mágica? Dificuldades na RE- educação emocional e alimentar

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Por Aline Menegotto, Psicóloga CRP 07/08580

A utopia da possibilidade de se alcançar tudo o que se deseja com o mínimo de esforço, tem se mostrado muito presente em nossas vidas, inclusive no que diz respeito à dificuldade em se iniciar um processo de psicoterapia ou aderir à reeducação alimentar. Com a popularização cada vez maior dos antidepressivos, de remédios que prometem perder peso rapidamente e outras medicações, criou-se a ilusão de que não é natural sofrer.

Há uma dificuldade da sociedade em geral de entender que a vida exige certos sacrifícios. Ninguém quer mais sofrer, nem ter tristezas. Todos querem acordar sentindo-se a pessoa mais feliz do mundo! Ter o melhor emprego, o melhor carro, o melhor cônjuge, o melhor filho, etc. E se algo der errado? Corre-se para a farmácia em busca da pílula da felicidade.

Realmente sabemos que existem medicações, que se usadas para casos devidos, são extremamente importantes como forma de tratamento de doenças psíquicas. Porém, o que se ouve muitas vezes é o seguinte: “como que eu ainda estou triste se estou tomando antidepressivo?”. “Porque tem dias que ainda me sinto mal?”.

Pensamos nós que o remédio não é sinônimo de anestésico, existindo ai um predomínio do pensamento mágico, sobre o pensamento real. Isto é: não quero abrir mão de nenhum prazer, nem fazer nenhum esforço, mas também quero viver sempre feliz e ter o corpo da modelo do momento.

Este cunho imediatista faz com que tratamentos que demandam maior tempo e investimento emocional estejam na contramão do que é estimulado como correto e/ou produtivo.

Porém, nos parece que ainda este é o melhor caminho para alcançarmos o que desejamos, isto é, sairmos de uma visão infantil, onde tudo é possível com um toque de mágica, para uma visão madura que nos remete a posição de autores de nossa história.

Podem-se destacar algumas semelhanças entre o processo de psicoterapia e o de reeducação alimentar:

  • São processos de médio a longo prazo;
  • Necessitam de grande motivação;
  • Exigem mudanças profundas e contínuas;
  • São métodos de tratamento e não preventivo;
  • Estimulam a auto-observação e, após, a construção de novos comportamentos;
  • Possuem mais possibilidade de alcançarem êxito se estiverem embasadas em uma boa aliança de trabalho e/ou apoio técnico adequado.

Tais semelhanças mostram que a reeducação alimentar e a psicoterapia são processos difíceis, pois pressupõe uma mudança nos padrões de comportamento e de relacionamento com as pessoas, com a comida e consigo mesmo. Estas mudanças são complexas, visto que, estão baseadas em vivências bastante antigas, que remetem aos nossos primeiros contatos com o mundo externo e com as pessoas à nossa volta. Envolvem olhar para dentro de si buscando abandonar o que está causando dor, mesmo que seja algo também prazeroso. Livrar-se de algo que é seu (hábitos, comportamentos, sentimentos…) e experimentar algo novo.

Envolve, com isso, uma doação muito grande na busca pela resignificação de objetos e comportamentos vivenciados, até então como “normais e/ou adequados”.

Compreender o porquê, que “um chocolate” pode nos trazer uma sensação tão reconfortante, para aí podermos optar por ter outro comportamento no momento em que buscamos conforto, tende a ser uma tarefa difícil, mas não impossível e que se concluída com ajuda de profissionais adequados, poderá propiciar outro tipo de prazer, o de ter participado de forma ativa na conquista por uma vida mais saudável e feliz.