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O SILÊNCIO DAS PALAVRAS: QUANDO O CORPO MOSTRA AQUILO QUE NÃO CONSEGUIMOS EXPRESSAR

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Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

No dia a dia encontramos pessoas que adoecem após terem vivido um grande problema. Encontramos também, aquelas que buscam inúmeros tratamentos sem sucesso. Os sintomas aparecem , mas os médicos não encontram qualquer correspondência fisiológica, anatômica ou neurológica.

A Psicossomática tem se mostrado uma opção para a compreensão dos processos mentais envolvidos no adoecimento físico. Reconhecidamente o estresse tem papel importante no desenvolvimento de doenças tanto físicas quanto mentais, apresentando menor ou maior gravidade. Assim encontramos aquelas pessoas que apresentam doenças crônicas, que geralmente aparecem em forma de crises como asma, enxaqueca, dores pelo corpo, prisão de ventre, gastrite, entre tantos outros. Poderão apresentar também quadros mais graves.

Precisamos então compreender como e porque acontece este processo. Como um problema psíquico aparece no corpo? Somos todos Psicossomáticos! Inevitavelmente o corpo reage em alguma intensidade, frente às emoções. A Psicanálise mostra que a tendência a somatizar vem de um passado remoto. Ao nascer, o bebê é um ser imaturo e desamparado. Vê-se em meio a muitas sensações e estímulos que precisam ser reconhecidos e nomeados para que se inaugure e fortaleça “o mundo psi”. Para isto precisa de cuidados onde tudo terá que ser discriminado. As sensações de fome, dor, os sons, os cheiros; precisam ganhar nome e significado. Se este processo não acontece bem aparece a tendência de ”deixar tudo no corpo”, as coisas não são mentalizadas, elaboradas e pensadas.

Na tentativa de preservar a quem amamos, queremos evitar que as situações dolorosas sejam vividas e pensadas; o que costuma ser prejudicial para o desenvolvimento psíquico. Sem dúvida muitas questões aparecem, quando a tarefa é manejar uma situação destas. Fazer de conta que nada aconteceu ou ficar todo o tempo centrado no problema, são os extremos e não são nada favoráveis. Algo realmente aconteceu, mas certamente este não é o único acontecimento da vida! A questão é encontrar a forma de falar e pensar sobre a do,r mas não evita-la.

As pessoas constroem defesas frente ao sofrimento, mas nem sempre elas são positivas e eficazes. Na psicoterapia, o terapeuta auxilia neste processo de pensar, não permitindo que a pessoa siga negando suas dificuldades, mas percebendo os motivos e significados desta. Proporciona que o conteúdo tratado tome seu curso necessário, chegue ao “mundo psi”. Desta forma, a psicoterapia auxiliará na busca de recursos para enfrentar da melhor forma dificuldades atuais e futuras; para modificar aquilo que pode ser modificado ou a viver melhor apesar  de alguma situação difícil. Assim os sintomas físicos desaparecem ou tornam-se bem menos intensos e frequentes.