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O CORPO FALA

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Por Keylla Jung , Psicóloga – CRP 07/07683

Cada corpo tem sua linguagem; um vocabulário próprio que se expressa através de diferentes apresentações.

O corpo pode ter suas formas alteradas pelo excesso ou privação de alimentos, como no caso dos transtornos alimentares. Disfunções sexuais limitam o acesso ao prazer emocional e físico. Há corpos que buscam a dor através de submetimentos e humilhação, experimentados, por exemplo, em relações que são verdadeiras prisões, pois anulam a identidade e autonomia do indivíduo.

 Dependendo da dor, é no corpo que se encontram a anestesia ou a euforia, consequências do abuso de substâncias, o que ocorre frequentemente nos casos de drogadição. Assim, o corpo vai se revelando em suas múltiplas utilidades, comunicando o que não nos dispomos a ouvir de nossas dores. Quando nos distanciamos e desvalorizamos as emoções, banalizamos os sinais de alerta dos sofrimentos e prejuízos na vida.

O corpo é diário de indeléveis registros de nossas experiências, desde as mais precoces até as mais atuais. Sua superfície produz memórias que marcam nossa existência e pautam o viver, mesmo sem estarmos conscientes de suas influências. Assédio ou violência física são apenas algumas das marcas que um corpo é capaz de registrar. Contudo, existem inscrições que são sutis, porém não menos traumatizantes.

Ao ter nossa imagem refletida num espelho, o que enxergamos tem relação direta com o significado e sentido que atribuímos às nossas marcas. As imagens que construímos são condicionadas por um olhar míope e fugaz. Quando isto ocorre, a identidade do sujeito é marcada pela limitação de sua forma de ver o mundo e a si mesmo. O indivíduo é aprisionado por essas imagens. Bastaria uma pergunta para que o espelho revele a ilusão: será apenas isto?

A formação de imagens irrefletidas encobre as diferentes possibilidades de compreensão do que somos ou podemos ser. Como pensavam Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud, o estatuto de um corpo não se reduz à matéria física. Segundo os pensadores, o autoconhecimento tem raiz no próprio corpo. O corpo fala. O problema é nem sempre sabemos escutá-lo.

Ao dar voz aos padecimentos que tem expressão no corpo, a psicoterapia, por meio do trabalho de escuta e compressão do que somos e como vivemos, oportuniza novas formas de bem viver. Assim, o diálogo terapêutico promove uma relação na qual é possível ao ser humano descobrir novas imagens e nesse processo redescobrir a si mesmo.