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O Adolescente e a Escolha Profissional

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Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

A adolescência é a etapa do desenvolvimento humano que acarreta as mudanças mais significativas. Nesse período o jovem sofre transformações em diversas áreas de sua vida. Ocorrem mudanças no corpo, no relacionamento com a família, nos desejos, no pensamento e consequentemente na compreensão do mundo que o cerca. A adolescência é vivenciada pelo jovem em meio a um turbilhão de sensações e sentimentos que, na maioria das vezes, são conflitantes e antagônicos: é o querer ser adulto por um lado, mas continuar a ser criança por outro.

A principal tarefa da adolescência é a resolução da crise de identidade. Deve-se estabelecer uma ligação entre o passado – “o que eu era como criança” – e o futuro – “o que eu serei como adulto” -, permitindo ao adolescente planejar planos coerentes para a vida adulta. É neste contexto que o adolescente se depara com a necessidade de tomar uma decisão muito importante: a escolha da profissão.

Estima-se que quase metade dos jovens (42%) se sente insegura quanto à escolha profissional. A diversidade de profissões e áreas de atuação cresce cada vez mais, aumentando o dilema do jovem e dificultando a sua escolha. O adolescente deve optar não apenas por um curso ou por uma atividade de trabalho, mas também por um estilo de vida, uma rotina, um ambiente do qual fará parte. Deve decidir não só o que quer fazer, mas também o que quer ser. Isto tudo em um momento em que ele não sabe ainda nem quem ele é, pois sua identidade está em construção.

A escolha da profissão pressupõe o surgimento de conflitos, ansiedades, além da elaboração de lutos, pois “escolher” é algo que implica renúncia. Vários questionamentos entram em jogo neste momento, além de suas aptidões e interesse, a maneira como o adolescente vê o mundo e a si mesmo, as informações acerca da profissão, a influência externa social e principalmente a familiar se tornam decisivos no momento de escolher qual carreira seguir.

Os pais também influenciam nesta escolha: depositam expectativas, sonhos, desejos e fantasias nos filhos desde o nascimento e muitos destes acreditam que devem seguir determinada carreira porque é o sonho de seus pais. Por outro lado, a liberdade excessiva por parte dos pais também atrapalha, podendo causar insegurança, dúvidas e até mesmo uma sensação de desamparo nos filhos. Os pais podem exercer uma influência positiva neste processo de escolha profissional oferecendo apoio e ajudando na busca de informações a respeito da profissão escolhida pelo filho.

O jovem deve ter um papel ativo na escolha de sua profissão. Precisa buscar informações em diferentes fontes: na escola, na família, nas universidades e com profissionais experientes e bem-sucedidos. Investir no autoconhecimento também é uma boa saída, pois conhecer-se é essencial para tentar se colocar na carreira. A psicoterapia e a orientação vocacional podem ser de grande auxílio nesse momento, estimulando os adolescentes a fazerem escolhas mais conscientes. Com a ajuda de psicólogos, o jovem passa a se conhecer melhor, a reconhecer as influências que sofre e a escolher a profissão mais adequada à sua personalidade e que irá corresponder aos seus desejos e expectativas.

Escolher uma profissão não significa apenas a escolha de um curso ou a decisão pelo exercício de certas atividades, mas sim escolher como se vai atuar no mundo.

Essas dicas também podem auxiliar:

  • Identificar a área de interesse na escola
  • Conhecer-se com profundidade
  • Informar-se
  • Conversar com a família
  • Procurar profissionais do mercado
  • Visitar universidades
  • Diferenciar profissão e carreira
  • Projetar-se no futuro
  • Evitar idealizações
  • Identificar os seus pontos fortes e fracos
  • Procurar um psicólogo ou orientador vocacional
  • Escolher com calma