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LIMITES, AINDA DÁ TEMPO?

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Por Maria Rita Pereira Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

Os pais de adolescentes convivem com um eterno desafio: impor limites aos filhos. Esses pais de hoje foram educados de forma autoritária e, com medo de repetir o erro com seus próprios filhos, acabam caindo no extremo oposto, que é a permissividade. Para os pais que se descuidaram na tarefa de colocar limites na infância e agora precisam lidar com filhos adolescentes rebeldes, uma má notícia: agora fica mais difícil reverter o quadro, mas ainda dá tempo.

O adolescente é um ser em desenvolvimento e mesmo que os pais o vejam como um “caso perdido” não é aconselhável partir dessa premissa. O que os pais devem ter em mente é que não adianta mais agir como no passado. Antigamente, quando um filho queria fazer algo que os pais reprovavam, bastava dizer: “Você não fará isso porque eu não quero”. E o assunto encerrava por aí. Porém, isso não funciona mais. Os jovens de hoje são muito bem informados e muito mais questionadores, o que é muito positivo. No entanto, os pais ganham um trabalho extra: não basta proibir, é preciso justificar, e com bons argumentos, a proibição. Esta tarefa é facilitada quando os pais estabelecem regras claras desde a infância. Além de dar limites, é importante que os pais cheguem a um acordo antes de impor as regras, pois, do contrário, os filhos ficam perdidos sem saber quem está certo, podendo inclusive explorar essa contradição.

Dar limites é um desafio, mas é essencial enfrentá-lo. A falta de limites, além de causar constrangimento e disrupção familiar, leva o jovem a burlar as regras fora do lar, as quais normalmente possuem punições mais severas. É fundamental que o adolescente arque com as conseqüências de seus atos. Mas, em geral, pais com dificuldades em impor limites tentam evitar que isso ocorra. Por exemplo: “se o filho corre o risco de repetir o ano, eles o transferem para uma escola mais fácil”. Mas, se perder o ano for o resultado de escolhas inadequadas do adolescente, ele deverá arcar com a consequência de seus atos. Se ele for poupado, ficará com a ideia de que os pais são capazes de remediar os prejuízos de suas escolhas e passará a agir de acordo com seus desejos imediatos. A punição tem que estar diretamente ligada ao erro cometido. O castigo não deve ser nem penitência nem vingança, mas uma possibilidade de reparação, de consertar a escolha errada.

A melhor maneira de lidar com filhos adolescentes é estar sempre por perto, ou seja, acompanhar e conhecer o mundo em que ele vive. Assistir filmes e programas de televisão que ele gosta, conhecer seus livros preferidos e conversar acerca de seus interesses são boas maneiras de manter-se próximo e atualizado com o mundo dos jovens. Embora essas atitudes não garantam que o adolescente não se meta em confusões, ajudam a entendê-lo antes que a encrenca se transforme em uma catástrofe de danos irreparáveis. Quando a rebeldia e a agressividade viram rotina na vida dos filhos adolescentes, é hora de procurar ajuda. Frequentemente, a família é que precisa de tratamento, pois os filhos, crianças ou adolescentes, não desenvolvem problemas de comportamento sozinhos.