Artigos

FILHOS DE PAIS SEPARADOS SOFREM MAIS DO QUE AS OUTRAS CRIANÇAS?

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no print

Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

O número de divórcios vem aumentando consideravelmente e é considerado um dos eventos mais estressantes para a família, ficando atrás apenas da morte de um dos conjuges. O divórcio é uma provação dolorosa para todos os envolvidos, mas o que vem depois dependerá da disposição de cada um: para o desastre/sofrimento ou para que um novo equilíbrio se instale.

A separação tem sempre consequências dolorosas para os filhos, principalmente no primeiro ano subsequente ao rompimento dos pais. As crianças sentem medo, raiva, culpa, abandono e, às vezes, vergonha. Elas se veem no meio de uma enorme confusão. Isto não significa que o casal deva ficar junto a qualquer custo para manter a família unida, mas precisa estar ciente de que a sua separação atingirá de alguma forma a vida da criança.

No entanto, a longo prazo, é preciso reconhecer que essas crianças não ficam piores do que as outras, apesar de não haver pesquisa clínica feita com filhos de divorciados quando chegam à idade adulta. O que diversos estudos mostram é que as brigas entre os pais são muito mais prejudiciais do que a separação em si. As crianças vindas de famílias separadas, mas sem conflitos explícitos, tendem a apresentar menos problemas do que os filhos de famílias intactas, porém cheias de brigas e discussões. Estes últimos apresentam dificuldades escolares, são mais agressivos e demonstram certa tendência à delinquência.

A melhor maneira dos pais ajudarem as crianças no caso de separação é evitar implicá-las no conflito, além de procurar não denegrir a imagem do ex-cônjuge. Portanto a forma como os pais enfrentam o fim do casamento exige muitos cuidados, principalmente quando os filhos são muito pequenos. É fundamental que a experiência do divórcio seja vivenciada pelo casal de forma equilibrada, com maturidade e respeito, para que as consequências emocionais sejam amenizadas causando menos danos ao desenvolvimento emocional dos filhos.

A psicoterapia pode ser de grande ajuda neste momento de conflito pois permitirá à família uma oportunidade para elaborar esta situação traumática minimizando o sofrimento e possíveis danos ao desenvolvimento emocional das crianças.