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Escolha amorosa: suas implicações e confusões

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Por Carolina Fernandes de Abreu Marques, Psicóloga – CRP 07/11647 

Essa escrita parte de uma questão cada vez mais frequente na prática clínica: as dúvidas e conflitos a respeito do casamento. Tanto homens quanto mulheres das mais variadas classes sociais buscam na psicoterapia respostas e alento para suas  “dores de amor”.
Autores trazem que o papel do casamento é um lugar comum da sociologia familiar e que ainda serve como proteção contra a perda da identidade do indivíduo. Acaba sendo um organizador da vida da pessoa, tendo uma função social de criar uma determinada ordem para que a nossa vida possa ser experimentada com certo sentido.
Com base na teoria psicanalítica, considera-se que a trama identificatória conjugal, que se origina no momento da escolha amorosa, reatualiza vivências infantis e, ao mesmo tempo, representa uma oportunidade de recriar o eu.
Dizemos também que a forma como os pais se relacionam reflete no desenvolvimento afetivo/sexual dos filhos e nos padrões de relacionamento que se estabelecem na família.
Podemos falar também que o interesse pelo outro se estrutura com duas formas de identificação do parceiro, incorporando características do outro e mais adiante introjetando-as, fazendo com que elas se tornem algo “nosso”, algo que admiramos e passamos a apresentar como características próprias.
Podemos dizer que o casal contemporâneo acaba se confrontando com duas forças paradoxais, a individualidade e a conjugalidade. No dia-a-dia essas duas forças se sobrepõem e torna cada vez mais confusa e complicada a tarefa de manter um casamento.
Na prática clínica observamos uma estreita relação entre adoecimento do corpo e as relações conjugais vinculares do casal. Podemos pensar que nesses casos considera-se o adoecimento no casal uma possibilidade de fantasmas herdados que acaba atravessando a escolha amorosa e ressuscitando no decorrer da relação.
Essa herança inicia-se na história anterior ao casal, que cuja história com a figura materna e paterna pode ter sido comprometida com a presença de um objeto doente ou objeto morto, colocando em risco o funcionamento psíquico do indivíduo.
A relação amorosa reedita não só a relação familiar do indivíduo, como também propicia a elaboração dessas vivências infantis.
Assim, observamos na pratica diária da psicoterapia que faz-se necessário buscarmos teoria nas mais variadas áreas humanas, como a sociologia, a antropologia e a filosofia para compreender mais amplamente o tema do casamento e das nossas escolhas amorosas.
Ainda assim, as pessoas segues casando e almejando uma relação amorosa gratificante, seja ela da forma mais tradicional ou alternativa.
Com isso, a Psicoterapia de casal ou vincular também precisou adaptar-se e segue apoiando os mais diversos casais na busca de uma comunicação clara entre si, além da descoberta de seu próprio eu dentro da relação; pois acredita, dentre outras questões, ser essa a possibilidade de sucesso no casamento.