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DEPRESSÃO PUERPERAL

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Por Patrícia Mirico Aronis, Psicóloga – CRP 07/10505

A depressão pós-parto é um quadro clínico que pode surgir nas mulheres na fase puerperal, normalmente quatro semanas após o parto e se caracteriza pela presença de um conjunto de sintomas que prejudicam a relação mãe-bebê. É importante diferenciar a depressão pós-parto de uma espécie de melancolia, também conhecida como “baby blues” ou “blues puerperal”. Essa tem inicio geralmente dias após o parto e provoca tristeza, preocupação, nervosismo e vontade de chorar. É possível que as grandes mudanças hormonais da gestação, sejam responsáveis por esses sintomas, que costumam desaparecer em questão de dias. O “baby blues” corresponde a uma etapa de reconhecimento mútuo, entre a mãe e o bebê, sendo o tempo necessário para mãe compreender que o bebe é um ser separado dela e marca o fim da gravidez psíquica.

Na depressão pós-parto esses sentimentos depressivos persistem. Geralmente aparecem sentimentos de incapacidade de cuidar do filho e dificuldade para enfrentar a nova configuração sociofamiliar. Os sintomas típicos são: sentimentos de culpa, transtornos do sono e alteração do humor com grande tendência a tristeza. Gera uma sensação de desleixo e apatia, a mãe não tem vontade de cuidar de si e muitas vezes nem do bebê. No parto, a mulher tem um sentimento de perda e esvaziamento de partes importantes de si mesma e medo do desconhecido. E a etapa do puerpério é caracterizada pela dualidade entre a situação do perdido, gravidez e do adquirido, o bebê.

Não se sabe exatamente porque algumas mulheres ficam deprimidas e outras não, mas existem situações que podem aumentar o risco de uma depressão puerperal. Ter apresentado algum episodio depressivo antes ou durante a gravidez, parto difícil, perda da própria mãe na infância, nascimento de um bebê prematuro ou com problemas de saúde assim como problemas financeiros, de moradia, desemprego ou perda de uma pessoa querida. A mulher que conta com bastante apoio durante a gravidez tem mais chances de encarar a maternidade com confiança e segurança.

Se não for tratada, a depressão pós-parto pode interferir no vinculo mãe-filho e pode causar problemas familiares. Podem se desenvolver crianças mais propensas a ter problemas de comportamento, como dificuldades para dormir e comer, crises de “birra” e hiperatividade. Os atrasos no desenvolvimento da linguagem são mais comuns também. Essa depressão não tratada pode durar meses e ainda tornar se um distúrbio depressivo crônico.

Sendo assim, necessita de tratamento adequado e a mulher deve contar com o apoio da família, especialmente do marido. O tratamento deve incluir uma equipe multidisciplinar, com o obstetra, o psiquiatra e o psicólogo. Mas nem todas mulheres com depressão pós parto vão precisar necessariamente de medicação, isso vai depender do grau de depressão, mulheres com uma depressão leve, podem não precisar de medicação, e a psicoterapia poderá ajudar nesses casos, trabalhando a culpa por estar deprimida, por sentir-se incapaz de cuidar do bebe e por não sentir-se feliz.