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Dependência e baixa estima

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Por Anna Paula Luz Flores , Psicóloga e Psicanalista – CRP 07/04536

Um número cada vez maior de pessoas procura ajuda especializada com o objetivo de melhor se relacionar com companheiros, familiares e/ou colegas de trabalho, sem se dar conta que tudo isso depende fundamentalmente de uma boa relação consigo mesmo.

Desde os estágios mais primitivos do desenvolvimento emocional do ser humano ocorre uma relação de profunda dependência, no caso da mãe, sendo este relacionamento a base da saúde mental de qualquer indivíduo e, inicialmente, até mesmo da própria sobrevivência.

Aos poucos, ao entrar em contato com o mundo ao seu redor, o bebê percebe que a mãe também é capaz de estabelecer outros relacionamentos, sentindo-se muitas vezes rejeitado por não ter a exclusividade do amor materno, como imaginava, gerando intensa ambivalência de sentimentos em relação à figura materna. Isso é uma etapa natural do desenvolvimento infantil e com o gradual desenvolvimento natural do bebê, sua independência começa a aparecer e ele já não precisa tanto de sua mãe como antes. O sujeito vai, aos poucos, se independizando e sendo capaz de fazer suas próprias escolhas, tendo mais liberdade de ação e de pensamento.

No entanto, tem muitos adultos que, para se sentirem amados, protegidos e valorizados, estendem para os novos relacionamentos a dependência das figuras paternas da infância, dificultando a condução de sua vida de um modo mais adequado e impedindo-o de um natural amadurecimento. O sentimento de rejeição vivido na infância, tendo ele sido real ou não, instala um sentimento de menos valia e a busca por suprir esta fragilidade.

Tal sentimento de inferioridade gera uma busca por valores não encontrados dentro de si mesmo e a possível expectativa de que o outro os supram. E, considerando-se a autoestima a forma como o sujeito se relaciona consigo mesmo, nestas condições ela fica bastante prejudicada, gerando uma percepção negativa de si mesmo. Pode ser expressa por uma sensação de incapacidade ou menos valia que é muito difícil a pessoa conseguir traduzir para si e para os outros.

Esta percepção negativa não constitui um transtorno mental propriamente dito, mas é um elemento que pode estar presente em diversos problemas que um indivíduo apresenta. Representa grande importância na vida de qualquer ser humano, porque independente do ambiente, essa auto percepção negativa e consequente baixa estima, poderá determinar suas escolhas e aquilo que acabará deixando de conquistar, tendendo a ocorrer insegurança, ansiedade, timidez, isolamento, culpas e vergonha. Gera uma incapacidade no individuo de confiar em si próprio, de se sentir capaz para enfrentar desafios e de saber identificar e expressar suas necessidades e desejos.

Faz-se então necessário um tratamento que, através da psicoterapia, possibilita tornar o paciente atento e consciente das próprias emoções, sentimentos, sensações e necessidades, visando desenvolver a capacidade de relacionar-se respeitosa e amorosamente consigo mesmo e cuidar de si. Cabe ao psicoterapeuta acolher a pessoa que chega e ajudá-la a perceber que existe um novo caminho em sua vida que pode ser encontrado e, assim, melhorar sua visão interna e externa de si, para uma melhor qualidade de vida.