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Crianças em Psicoterapia

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Por Maíra Pasin Pozzer, Psicóloga – CRP 07/14830

As crianças, assim como os adultos, também tem seus sofrimentos e angústias. Muitas vezes provenientes de momentos vivenciados, como traumas e situações específicas, e outras por dificuldades inerentes ao desenvolvimento e crescimento sendo assim, mais subjetivas.

Os adultos devem prestar atenção ao comportamento das crianças, para que possam perceber e ter a sensibilidade de dar-se conta do que elas estão tentando comunicar através de sua forma de interagir com o mundo.

Algumas poderão se retrair e se mostrar de forma mais tímida e, por vezes, deprimida. Outras poderão se mostrar agressivas e mais “difíceis” de lidar. Ambas as formas de agir demonstram sentimentos e dificuldades em dar conta daquilo que pode estar sendo demasiado para sua capacidade e seu psiquismo infantil.

Na escola por ser o ambiente em que, muitas vezes, a criança passa uma grande parte do seu tempo, torna–se um importante lugar onde poderão aparecer  e serem percebidos, comportamentos os quais denunciam que algo não está indo bem.

Quando percebemos que tais comportamentos se tornam recorrentes e começam a trazer prejuízos nas relações sociais, na escola, no aprendizado, entre outros, torna-se necessária a busca por uma avaliação profissional com o intuito de encontrar um caminho que auxilie esta criança e sua família a encontrar maneiras de enfrentar este momento.

A psicoterapia de crianças conta com peculiaridades específicas que provém da diferença necessária na técnica para esta fase do desenvolvimento. Desta forma, por se tratar de crianças que são dependentes e inseridas em um contexto familiar maior, contamos muito com a presença e participação ativa dos pais ou responsáveis no tratamento. Esta proximidade torna-se fundamental para um bom andamento da psicoterapia, bem como para a compreensão e orientação de manejos que resultarão em mudanças nos padrões iniciais que motivaram a busca por tratamento.

Os pais e responsáveis terão o seu espaço para trazer seus anseios e preocupações com seu filho. Já a criança, paciente na psicoterapia, terá a garantia de seu espaço preservado, englobando o sigilo necessário para o estabelecimento da confiança e vínculo que são as bases para o tratamento psicoterápico.

Quanto a forma de comunicação dentro da sessão, as crianças, diferentemente dos adultos e adolescentes, utilizam predominantemente o brincar para expressar seus sentimentos e estados mentais.  É através da hora do jogo, como denominamos as sessões de psicoterapia infantil, que a criança entrará em contato com seu mundo interno trazendo para o aqui-e-agora a possibilidade de, junto com o psicólogo, compreender e elaborar suas angústias.

Através do vínculo estabelecido entre psicoterapeuta, família e paciente temos a chance de dar um novo rumo para que as dificuldades de um momento atual não se perpetuem e se tornem, posteriormente, cada vez mais difíceis de lidar trazendo assim um grande sofrimento e limitações para a vida do paciente.