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CONVERSANDO SOBRE LUTO

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Por Denise Helena Müller de Ávila , Psicóloga  – CRP 07/01582

Quando falamos de luto não nos referimos a perdas apenas por morte, mas sim a todo tipo de perda: fim de um relacionamento amoroso, namoro ou casamento, perda do emprego, briga com amigos ou familiares, esterilidade/infertilidade, doença ou por situações de crescimento como formatura de colégio e/ou de faculdade, mudança de cidade ou de país para exercer um novo emprego ou cargo ou mesmo para estudar e se especializar. Também a aposentadoria é uma situação de luto, quando o indivíduo está deixando sua fase mais produtiva para “descansar”. O que o faz se deparar com o envelhecimento.

Portanto o luto é toda situação de perda que provoca intensos sentimentos de dor, que pode  remeter a  situações anteriores de perdas que não foram elaboradas como o próprio crescimento. Por exemplo, a criança para crescer, na fase da adolescência,  precisa se despedir da infância, é um momento de luto e pode ser bem difícil. E assim são as várias fases : entrada na vida adulta, casamento, nascimento dos filhos, etc., onde sentimentos ambivalentes surgem diante de novos acontecimentos, sentimentos que podem ser de perda por um lado e ganho por outro. Exemplo é o casamento de uma filha onde a mãe pode sentir que está perdendo a filha ou ganhando um filho, conforme suas vivências.

Em várias etapas da vida, para irmos adiante, precisamos nos despedir da fase anterior. Cada situação dessas é um luto que precisamos elaborar e elaboramos muitos deles, mas alguns ficam pra trás. Estas situações “mal resolvidas” podem emergir num momento de dor intensa de uma situação semelhante, ou seja, os sentimentos atuais podem remeter a sentimentos já experimentados. Pode também a perda ser tão difícil, tão dolorosa, que cause sintomas físicos e emocionais tais como ansiedade, depressão, confusão, medo, isolamento,  alteração do sono, perda de apetite, etc.

Em cada etapa, a cada degrau que subimos deixamos um pra trás, cada vez que isso acontece precisamos nos despedir e nos adaptar a uma nova realidade. É comum termos dificuldade nesses momentos de transição e nem sempre nos damos conta que podemos buscar ajuda. A primeira fonte de apoio é a família. Podemos ainda contar com os amigos e com profissionais da área da saúde como os psicólogos. Precisamos nomear os sentimentos, falar de nossas dores, expressar os pensamentos e sentimentos.

“Os tempos de transição são também tempos de oportunidade e qualquer confronto com um mundo desconhecido é tanto uma oportunidade para um domínio autônomo como uma ameaça para o próprio ajustamento à vida.” (Parkes)