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Autismo: a doença que cresce

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Por Aline Menegotto, Psicóloga CRP 07/08580

O Transtorno Autista faz parte de um grupo de transtornos ligados ao desenvolvimento neurológico, que compromete, geralmente, de forma global o desenvolvimento infantil. É também conhecido por Transtorno Invasivo do Desenvolvimento ou, conforme a última atualização do DSM V (Manual diagnostico e estatístico de transtornos mentais), Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Durante as últimas décadas a incidência de pessoas com este transtorno tem crescido muito, uma estimativa feita em 2010, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos Estados Unidos, mostrou que 1 em cada 68 crianças são diagnosticadas com autismo no país – 30% a mais do que em 2008. Não se sabe quais fatores podem estar gerando esse aumento. Pode-se supor que um dos fatores a contribuir para isso é o fato de que as crianças estão sendo diagnosticadas de modo mais eficiente que há algumas décadas.

O diagnóstico é clínico, feito através de observação direta do comportamento e de entrevistas com os pais ou responsáveis. A avaliação deve ser feita por uma equipe interdisciplinar, formada por psicólogo, médico neuropediatra ou especialista em desenvolvimento infantil e fonoaudiólogo. Não há um exame específico que indique o transtorno, ele é encontrado em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social. Observa-se a prevalência no sexo masculino, quatro vezes mais comum do que no sexo feminino.

 Os sintomas costumam estar presentes antes dos 03 anos de idade, e os sinais do transtorno variam, por vezes, podendo os sintomas serem confundidos com  surdez (já que a criança não responde aos estímulos), deficiência intelectual e problemas de linguagem.

Entretanto o TEA compartilha sintomas centrais no comprometimento em três áreas específicas do desenvolvimento:

– Déficits de habilidades sociais, que pode aparecer como falta de reciprocidade social, incapacidade de desenvolver e manter relacionamentos com seus pares apropriados ao seu nível de desenvolvimento (não olhar nos olhos, fugir do contato com pessoas, etc);

– Déficits de habilidades comunicativas (verbais e não verbais), utilizadas para a interação social (não falam, ou falam coisas repetidas vezes);

– Presença de comportamentos, interesses e/ou atividades restritos, repetitivos e estereotipados, comportamento sensorial incomum, aderência a rotinas e padrões de comportamentos ritualizados, interesses restritos.

O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.

Não há um tratamento único para todos os casos, a equipe deverá conhecer a criança e sua família, indicando o que trará um resultado mais eficaz para todos. É importante ressaltar que quanto mais cedo iniciarem as intervenções, melhores resultados poderão ser atingidos.

O atendimento a criança é parte do trabalho, suas famílias precisam também de apoio, o diagnóstico de autismo traz muito sofrimento, consome muita energia e pode levar ao isolamento social e emocional, o que abre espaço para que doenças emocionais surjam. As pessoas envolvidas – pais, irmãos, avós – além de buscarem conhecer as características do TEA, precisam de um espaço seu para falar sobre suas dores, o luto que a doença trás, ansiedades e o estresse que tal transtorno provoca na família.