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Álcool: uso, abuso ou dependência

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 Por Patrícia Mirico Aronis, Psicóloga – CRP 07/10505

   Há uma cultura nacional com relação ao álcool, as pessoas bebem no frio para esquentar e no calor para refrescar! Há sempre um motivo para beber, seja um happy hour com os amigos, um brinde para comemorar conquistas ou para afogar alguma mágoa. A bebida alcoólica geralmente está presente em todas ocasiões onde as pessoas se reúnem, seja num churrasco de final de semana, casamento, formatura, festa de final de ano, parece que ela está geralmente associada a diversão e comemoração.

   O álcool é uma droga lícita, de fácil acesso, o que pode facilitar seu consumo e por isso é muito importante distinguir os termos uso, abuso e dependência. Um individuo pode tornar-se alcoólatra devido a um conjunto de fatores: predisposição genética, estrutura psíquica, influencias familiares e culturais. E a probabilidade de dependência é quatro vezes maior se os pais forem alcoolistas. Na maioria das vezes, também está associado a outras condições psiquiátricas como transtorno de personalidade, depressão, transtorno afetivo bipolar, transtorno de ansiedade e suicídio.

    O termo uso refere se a qualquer ingestão de álcool. O abuso  pode produzir danos físicos (entre eles, cirrose e câncer de fígado), ou mentais a saúde, mesmo na ausência da dependência. O uso abusivo do álcool não caracteriza necessariamente a pessoa como um alcoólatra, mas ela tem que ficar alerta, se eventualmente, mas recorrentemente, num período de 12 meses, enfrenta problemas devido ao exagero como: prejuízos no trabalho ou escola, exposição a situações de risco ( dirigir alcoolizado), desacato a autoridades ou superiores e persistência no uso.

   O diagnostico da dependência do álcool deve ser feito apenas se três ou mais das seguintes situações foram experimentas durante um período de 12 meses:

Forte desejo ou compulsão para beber;

Dificuldades em controlar a ingestão de álcool, em relação ao seu início, término, ou quantidade;

Alteração psicológica quando o uso de álcool é cessado ou reduzido, ou utilizar-se do álcool para aliviar ou evitar sintomas de alterações psicológicas;

Evidência de tolerância, como doses cada vez maiores, para atingir os mesmos efeitos causados pelas doses menores anteriores;

Perda progressiva de interesse por atividades antes realizadas ou por outras fontes de prazer, devido ao uso do álcool;

Uso contínuo mesmo com claras evidências das conseqüências danosas.

    As mulheres de um modo geral, são mais vulneráveis aos efeitos negativos e tóxicos do álcool que os homens, atingem concentração sanguínea mais alta, com a mesma dose, assim como seus órgãos são mais prejudicados. Normalmente , as mulheres são mais leves e tem menos água no organismo do que os homens, assim o álcool no sangue delas fica mais concentrado. Isso torna a mulher mais desprotegida dos efeitos do álcool. Elas também estão mais sujeitas a cirrose hepática e alguns estudos mostram que mesmo o consumo moderado de álcool diário aumenta as chances de câncer de mama.

  Deve se ficar atentos também a combinação de álcool e antidepressivos, o álcool pode causar uma euforia inicial mas depois piora o quadro depressivo, assim como dependendo do principio ativo, pode multiplicar os fatores sedativos e aumentar o risco de crises convulsivas.

   Muitas vezes, sem se dar conta, as pessoas utilizam a bebida alcoólica como uma “medicação”, para aliviar ou lidar com alguns sentimentos ou dificuldades, seja de tristeza, frustração, baixo auto estima, timidez. Nesses casos o mais indicado é procurar um psicólogo para lhe ajudar a enfrentar  essas dificuldades de uma forma mais saudável.