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AFINAL O QUE É SAÚDE MENTAL?

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Por Aline Menegotto, Psicóloga CRP 07/08580

Atualmente, no Brasil, a terceira causa de afastamentos do trabalho para o INSS se dá por doença mental. Pesquisas registram que uma em cada quatro pessoas no mundo sofrerá uma condição de falta de saúde mental na sua vida. A depressão será a segunda maior causa de incidência de doenças em países de renda média e a terceira maior em países de baixa renda até 2030.

Assustador não? Possivelmente todos leitores deste texto têm alguém próximo de si que está passando ou já passou por algum “sofrimento ou problema psíquico ou mental”, também chamado “transtorno ou doença mental, psicológica ou psiquiátrica”. Tenhamos claro que essas expressões, por mais que parecem similares, não significam a mesma coisa e não são sinônimos de “loucura”, embora alguns comportamentos ou sentimentos tidos como “loucos” possam ser causados por doença mental (não entraremos nas doenças mentais nesse texto).

A banalização do diagnóstico e o uso elevado de medicações como intervenção diante da vida têm gerado preocupação. Já temos descrito cerca de 500 tipos de transtornos mentais e do comportamento nos manuais médicos e psiquiátricos. Com tantas descrições, quase ninguém escaparia a um diagnóstico de problemas mentais. Não se trata de não ver a utilidade e relevância dos manuais, bem como da medicação, muitas vezes fundamental para o tratamento de alguma doença. Mas, de ressaltar que o sofrimento psíquico tem sido enquadrado, muitas vezes, como sintoma de doença mental ou falta de saúde mental, e não é.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que não existe definição “oficial” de saúde mental. Diferenças culturais, julgamentos subjetivos, e teorias relacionadas concorrentes afetam o modo como a “saúde mental” é definida. A ampla gama de sintomas presentes nos manuais, bem como a forma diagnóstica proposta por eles permite que muitos acontecimentos cotidianos, sofrimentos passageiros ou outros comportamentos, possam ser registrados como sintomas próprios de transtornos mentais e não são. Confunde-se precocemente o patológico com mal-estar existencial, com situações passageiras e por vezes necessárias de dor.

Por outro lado, convém destacar que a ausência de uma doença mental não implica que o indivíduo goze de boa saúde mental, seu desenvolvimento integral deve ser olhado. O acompanhamento do comportamento diário de uma pessoa é a melhor forma de conhecer o estado da sua saúde mental. Quando o sofrimento psíquico se faz presente, conversar com um psicólogo pode ajudar na aceitação de que os conflitos internos são inerentes ao ser humano e, aprendendo a conviver com eles, estamos mais perto da saúde do que da doença.