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A SUPERVISÃO NA PRÁTICA CLÍNICA

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Por Keylla Jung , Psicóloga – CRP 07/07683

Para aqueles que trabalham com os princípios da psicanálise, não é novidade a recomendação e, em algumas situações, a exigência de supervisão da prática clínica. A formação de um psicoterapeuta que se orienta pelo referencial teórico psicanalítico, se constrói apoiado no que Sigmund Freud preconizou como um tripé de formação, ou seja, para a prática da psicanálise e, das psicoterapias de orientação psicanalítica que seguem estes moldes, é fundamental o tratamento pessoal, o estudo teórico e a supervisão.

Também no decorrer da formação universitária de um psicólogo ou psiquiatra, os primeiros contatos dos futuros profissionais com a prática, ocorrem através dos estágios que são invariavelmente supervisionados por seus professores e orientadores a fim de conhecer e aprender sobre a realidade de seus contextos e de suas ações terapêuticas.

A supervisão é uma relação de ensino-aprendizagem cognitivo-afetiva que consiste no treinamento, na formação da identidade e no desenvolvimento de habilidades do terapeuta. Não atende apenas as exigências institucionais. Pode ser um recurso precioso e de grande auxílio para aqueles que estão no início da prática ou, eventualmente, encontrem alguma dificuldade em um atendimento específico.

Não é tarefa fácil desenvolver a capacidade de escutar através da atenção às manifestações verbais e não verbais de um paciente, aprender a distinguir o que é comunicado, compreender a dinâmica dos problemas do paciente, elaborar um plano de tratamento e, fazer intervenções fundamentadas em teorias e técnicas.

Este processo de aprendizagem tem, como um dos objetivos finais, que o terapeuta supervisionado perceba suas dificuldades em relação à psicoterapia de um paciente, e que possa conquistar sua independência, autonomia e estilo através da autocrítica e exame de seu material clínico.

Atualmente se entende que a supervisão clínica vai além do olhar de um terapeuta mais experiente sobre o material de trabalho de outro terapeuta, a relação é mais complexa, pois, envolve inúmeras sensações e reações com a exposição do trabalho ao exame e crítica. É importante que o supervisor esteja capacitado a abordar tecnicamente os fenômenos peculiares que surgem na dinâmica da supervisão. Algumas instituições inclusive têm supervisores com formação para esta tarefa.

A possibilidade de elaborar experiências emocionais tanto do paciente em questão, como do supervisionado, aperfeiçoa o processo de aprendizagem, desde que não se confunda o papel pedagógico com terapêutico do supervisor, e ambos estabeleçam uma aliança de trabalho que respeite os interesses do paciente.