Por Mariana Medeiros – Psicóloga – CRP 07/11721

Junho Violeta é o mês do combate e prevenção a violência contra a pessoa idosa. Desde 2006, o 15 de junho é conhecido como o dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção e Violência a Pessoa Idosa.
Estes marcos fizeram-se necessários para mobilizar a população sobre a importância da luta em prol da proteção e o respeito a esta população que cresce a cada dia. O objetivo é desenvolver uma conscientização mundial, social e política,sobre a existência da violência contra o idoso,além de, ao mesmo tempo, disseminar a ideia de não a aceitar como normal.
Vamos conversar sobre os nossos velhos?
Com o surgimento da pandemia do Corona vírus, a população idosa, por ser parte do grupo de risco, percebeu-se fragilizada ao ataque da doença que fatalmente poderá leva-las a internação em CTIs e, até a morte!E como estamos cuidando deles? Sabemos que temos que tomar todos os cuidados para prevenir e não levarmos o vírus aos nossos pais, avós e familiares idosos. Mas além disso, como ajuda-los nesse confinamento, nesse meio de solidão e medo?
Vamos pensar que os nossos idosos estão sofrendo muito com tudo isso. Já passaram por diversas situações na vida, mas este vírus e esta situação são novos, para eles e para todos nós. Estão assustados e com medo. Medo de morrer por fazerem parte do grupo de risco, medo de estarem a sós, assustados por não verem mais seus familiares. Desorientados, também, por não poderem mais viver suas rotinas.
E qual o papel do familiar, do parente, do amigo? Amor, carinho e atenção. E na prática, como ajudar a amenizar o sofrimento da solidão e medo? Em primeiro lugar ajustar uma nova rotina. Dar atenção, tanto pessoal como ao celular, de preferência nos mesmos dias/horários. Chamadas de vídeo como uma forma de ver como estão. Visitas. Atender as demandas necessárias, rotineiramente, com idas ao supermercado e farmácia. E, importante, tratar abertamente o assunto, falar sobre os sentimentos, o medo e o temor, a tristeza e a saudade. A escuta se faz necessária. A realidade coloca-os diante da concretude da vida, levando-os a reconhecer ou não os seus limites, podendo ou não utilizar os recursos que cada um tem a sua disposição.
Mas caso percebam a necessidade, não deixem de procurar ajuda. O profissional da saúde, com certeza, poderá agregar. Seja por ajuste de medicação, uma psicoterapia pode também ajudar o idoso a se reorganizar novamente. Percebemos que os idosos estão propensos a viver perdas e a se deprimirem. Podemos observar que nesse momento existem perdas de toda a natureza. Desde o corpo que muda, deixando para trás o viço da juventude, perda do status social, até a morte de entes queridos e os fantasmas de sua própria morte. Dessa forma, esse é o momento de necessidade de elaborar perdas e luto e, por outro lado, reinventar novos padrões de vida que possibilitem ganhos.
O momento é de muito stress, todos estamos passando situações traumáticas de necessidade, solidão e angústia. A luta entre o viver e o morrer cada um faz à sua maneira. Apenas aqueles que tiverem a ousadia para fazer este percurso, conseguem se defrontar com seu próprio desejo. E desta forma, poderemos ajudar os nossos velhos!