Produzido por Psicóloga Fabiane Flores, Psicóloga – CRP 07/12685

Há cerca de um mês atrás estávamos retomando o início do ano letivo, retomando as atividades após o carnaval, programando as próximas datas festivas, feriados do mês de abril, … E de repente, tudo mudou, o mundo parou, …desaceleramos. E como um passe de mágica, as famílias passaram a enfrentar o excesso de horas livres sem saber o que fazer. Para quem estava acostumado com uma rotina intensa de atividades e compromissos; ter mais tempo era o desejado e agora não parecer ser tão espetacular assim. Nos foi concedido mais tempo para fazer o que é realmente essencial. Sabemos que é um período oportuno para cuidarmos do bem-estar, mas nem todos estão conseguindo ter sucesso em reinventar a escola com a educação domiciliar. Assim como qualquer conhecimento, este tempo em excesso também necessita ser aprendido. E como todo processo de aprendizado é necessário saber que há um ciclo para alcançarmos o melhor resultado. E como este ciclo ocorre? A primeira etapa é conhecer o que precisamos fazer. Compreender que estamos diante de um desafio enorme, tanto para os pais, filhos e escola é o primeiro passo. Em seguida sugerimos que as famílias tentem se aproximar dos sentimentos que realmente vão fazer a diferença e entendemos que reforçar os laços afetivos com os filhos, falar e demonstrar carinho e amor seja um deles. A Psicanalista francesa Françoise Dolto destaca a importância de conversar e falar a verdade para as crianças. Sempre obedecendo a faixa etária e com linguagem adequada é importante que haja diálogo sobre esse momento de isolamento social e que ele atinge a todos, independentemente de onde estejam localizados no mundo. Assim sendo é considerável que haja reflexão em conjunto sobre os efeitos da pandemia na família e como irão organizar-se, sem deixar de amparar e auxiliar seu filho. A segunda etapa está relacionada ao envolvimento das pessoas para realizar o plano. A educação domiciliar ou homescholing, assim como o tele trabalho ou home office exige muito dos pais e das crianças. Imaginávamos que as atividades que fossem realizadas em casa demandavam menos envolvimento e não é o que constatamos. A escola representa um local de trocas, de aprendizados e de vínculos. Certamente estão sentindo mais falta do ambiente escolar do que concebemos. Naturalmente a ausência da escola representa a privação de sua rotina, de seu cotidiano e de seu convívio com amigos e colegas. Há instituições que baseiam e realizam seu trabalho com base na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e estabelecem o ensino a partir das habilidades e competências. Desta forma, Jorge Cascardo (especialista em Neurociência) acrescenta que os conteúdos oferecem situações do seu cotidiano e preparam o aluno para ser capaz de resolver problemas reais. É importante salientar que as escolas precisam ser parceiras da família e auxiliá-las na gestão do tempo e nas dificuldades em conciliar os estudos e manutenção da rotina. Cabe também as famílias estabelecer, na medida do possível, uma rotina dentro do dia-a-dia de todos, como: horário da TV, uso de celular, tarefas domésticas, preparo das refeições,…incluir e atribuir responsabilidades aos filhos faz parte da primeira etapa. A terceira etapa está relacionada a necessidade de analisar os resultados alcançados. É imprescindível recordar aos pais que as crianças possuem ritmos e interesses diferentes e o que serve para um nem sempre servirá para todos. É importante estabelecer uma rotina e flexibilizar o tempo pois também compreendemos que o ócio criativo poderá ser benéfico para o aprendizado. A quarta e última etapa é ajustar o que não deu certo, refletir sobre outras possibilidades e retomar a primeira etapa. O ciclo não para…E cabe a você definir se este ambiente está gerando estressores difíceis de suportar. O atendimento psicológico on line é uma possibilidade de tratamento através da internet, difundida em muitos países e regulamentado pelo conselho de psicologia. Cuide-se e viva melhor.