Por Psicóloga Tanise G. Mateus, Psicóloga – CRP 07/10230

Essa semana o governador do Rio Grande do Sul anunciou um novo decreto em que as escolas e faculdades não retomam as atividades na forma presencial em 5 de maio, como o decreto anterior. Recebo pelo celular, junto com alguns comentários a respeito do novo decreto, algumas fotos do aniversário de uma amiga nesse mesmo dia, alguns anos atrás. Boas lembranças do tempo de festas e muita “muvuca social” me fazem pensar que atualmente vivemos um momento um tanto diferente.
O mundo pede socorro. Não só por conta dessa pandemia maluca que provoca a covid_19. Mas por conta de tanta fome, tanta desumanidade e tanta tristeza. A sociedade está adoecida. Nunca se soube de tantos adolescentes se automutilando. Nunca se questionou tanto sobre a sexualidade das pessoas.
Dizem que a doença do século passado foi a depressão. E a desse século, qual será? Arrisco dizer que o -vazio- é a psicopatologia da década. Solidão, incertezas, medo, impotência…
O vazio preenche o espaço destinado aos relacionamentos, o vazio do ser aceito exige que eu seja o-que-eu-imagino-que-o-outro-quer-que-eu-seja. A expectativa fantasma prende com correntes de areia. Preenche com fumaça.
O abraço é substituído por um bonequinho emoji amarelo sorrindo, com bracinhos curtos e olhinhos fechados. Braços que não alcançam. Olhos que não enxergam a necessidade do outro. A real busca pelo toque, pelo olhar… E surge uma doença que nos exige olhar para o outro, cuidar da saúde do outro, controlar a curva de contágio do povo para preservar a saúde coletiva, e a minha.
Uma doença que me convida a ficar em casa com a família e somente ela. A acompanhar as aulas dos filhos e observar de perto as suas dificuldades e o empenho dos professores. Saber o que está acontecendo na sala de aula de fato.
Saber o que os filhos, o marido e os pais estão comprando no mercado. Ou o que estão precisando em casa. E sentir falta de um abraço, aquele real, que o emoji não supre. Um vírus que pede que a gente olhe um para o outro. E quem sabe, preencha o tal vazio com realidade.