Por Luciana Pandolfo Camaratta – Psicóloga – CRP 07/05918

COVID-19  um inimigo desconhecido, poderoso e invisível que dominou o mundo. Invadiu as manchetes e a nossa vida! Mudou nossa rotina, nossos hábitos, impediu a convivência social sob pena de uma grande catástrofe. Ele não permite ser esquecido! Desperta medo e impotência e a partir destes, vários outros sentimentos. Sem dúvida exige de todo uma grande força psíquica.

O medo é uma emoção natural do ser humano, responsável pela nossa sobrevivência. Ele pode ser positivo ou negativo. Frente ao COVID-19, se não tivéssemos medo seríamos insanos! É o medo que nos ajuda a tomar os cuidados necessários para proteção. Ele torna-se negativo quando ultrapassa nossa condição para lidar  favoravelmente com a situação. Pode evoluir rumo à quadros patológicos ou exacerbar os sintomas daqueles que já apresentam alguma dificuldade. Assim quadros de ansiedade, fobias, pânico, depressão e TOC, por exemplo, podem se fazer presentes.

Quando ocorre algo ameaçador, ficamos tomados pela percepção de fragilidade e impotência. Às vezes as condições emocionais da pessoa fazem com que apresente reações desproporcionais. Tudo que é proposto como cuidado parece não ser suficiente! A pessoa passa a cometer excessos ou a perder a iniciativa. Os extremos nos atrapalham. Deixam implícita a mensagem de que precisamos estar sempre pensando no assunto, como se isto trouxesse a solução, auxiliasse ou protegesse mais ou ainda preparasse para lidar com possível ocorrência. Não encontrando alívio com os cuidados propostos, aparece a ideia de que não há o que fazer. Pensamentos intrusivos e persistentes ou a sensação de falta de recursos, geram um círculo vicioso de ansiedade. Haverá também situações de negação, aqueles que  diminuem o problema e fazem de conta que nada está acontecendo.

Junto a todos os cuidados é proposto o isolamento social que  pode ser sentido como abandono. Uma grande ameaça com  enfrentamento solitário, pode acessar os aspectos depressivos das pessoas.

Estamos diante de uma situação traumática. Não é possível descrever antecipadamente como sairemos desta. Cabe a cada um ir trilhando seu caminho, dando atenção ao que se passa em seu mundo interno e lembrando que: Informação é necessária, mas deve ser filtrada e em excesso gera ansiedade; pensamentos pessimistas e vitimistas impedem a percepção clara da realidade e dos recursos disponíveis para aliviar a situação. A solidão é um fato, mas você pode e deve buscar contato virtual com as pessoas afetivamente importantes. Evite a inatividade, ela pode produzir desânimo. Tente manter sua rotina, estabeleça novas metas,dedique-se aos seus hobbies.

A solitude é um estado desejável que permite o exame de nosso mundo interno. Cabe a cada um identificar suas capacidades e fraquezas, ser criativo e honesto consigo mesmo para assim identificar alternativas de enfrentamento. Se você perceber-se confuso, ansioso, desanimado, com dificuldade para organizar-se procure auxílio, tendo neste momento como um dos recursos a psicoterapia online.