Por Lucas Vijande Valladares, Psicólogo – CRP 07/23992

Venho aqui dirigir esse artigo exclusivamente para os pais, sejam eles: pais presentes, pais de primeira viagem, PAIdrastos, futuros pais e para os pais ausentes. Anuncio aqui uma conversa de psicólogo para pai.

A paternidade, caso muitos ainda não saibam, pode ser exercida por um cuidador, tio, irmão, avô; não necessariamente um pai biológico. Esse papel, além de ser exercido pelo sexo masculino, por diversas vezes, acaba sendo exercido também pelo sexo feminino, como por exemplo: uma mãe; mesmo não se fazendo presente a figura masculina.

Tenho certeza que todos que estão lendo este artigo carregam consigo uma imagem dessa figura, seja o próprio pai, assim como outra pessoa, desde que se tenha feito presente este cuidado, esta lembrança afetiva. Porém, aqui vão algumas más notícias. Infelizmente muitas famílias acabam sendo atingidas pela ausência desta figura, o pai. Seja por abandono, morte e até um simples descaso, onde a figura se faz presente fisicamente, porém ao se tratar de afetividade o mesmo se torna um completo ausente. Por incrível que pareça, isso é mais comum do que a gente possa imaginar.

Este que para mim é um dos fatores mais preocupantes, afinal, muitos não fazem ideia de como é receber o afeto desta figura, o que acaba invariavelmente trazendo um grande questionamento, principalmente ao se tratar de futuro: já que eu nunca tive pai, como eu vou ser um bom pai?

É exatamente aqui que contamos com o amor do próximo, este que é capaz de conseguir exercer este papel, através de amor, limites, cuidado, carinho, medos e receios. O amor paterno é sim muito importante, talvez para muitos seja algo insubstituível, porém com o passar do tempo vejo que ele pode ser até superado, mas infelizmente para muitos jamais será esquecido, seja por uma boa lembrança ou por uma lembrança que jamais existiu.Não nascemos pais, nos tornamos.

Talvez esse seja um ponto onde muitas vezes podemos nos perguntar, mas como podemos nos tornar?

Ser pai é: saber dividir, saber respeitar, ter a grandiosidade de errar, chorar, lembrar e conseguir através dos cuidados e principalmente do amor, cultivar afetos e conseguir construir juntos do mais simples ao mais complexo.

Acredito que é de grande importância ressaltar aqui o papel da psicoterapia, na qual pode colaborar diretamente com essas questões, desde incertezas, assim como lembranças que talvez sejam difíceis de serem relembradas, em função de inúmeros motivos. Saliento então a importância de conseguirmos relembrar para podermos reelaborar tanto situações positivas quanto situações muito mais delicadas. O mais interessante disso tudo, é que se trata de um trabalho construído e reconstruído numa dupla, terapeuta e paciente. Neste caso o psicólogo acaba sendo um facilitador durante este processo; capaz de colaborar com a escuta, assim como intervenções e técnicas que visam sempre o bem estar do paciente.

Espero que com este artigo, eu possa despertar um pouquinho mais do “pai” que somos capazes de construir ao longo de nossas vidas.