Pelas Psicólogas Juliana Minuzzi Bergamaschi – CRP 07/21747 e Patrícia Crystobal Martins – CRP 07/21765 – Unidade Teresópolis

Diante dos últimos acontecimentos referente ao desafio da rasteira propomos uma reflexão a respeito dos motivos e intenções que levam os jovens a realizarem uma brincadeira de cunho agressivo. O desafio da rasteira, também conhecido nas redes como quebra-crânio e roleta humana, consiste em dois jovens se posicionarem ao lado de um colega, este é orientado a pular e recebe o golpe. A pessoa acaba caindo e batendo a cabeça no chão. O adolescente nesta etapa evolutiva da vida não tem total dimensão do que pode acarretar determinados comportamentos. Desta forma, tende a ver e compreendera vida como uma possível disputa, em que necessitam ser olhados, reconhecidos e valorizados, mesmo em decorrência do sofrimento do outro. O que torna legal e interessante o desafio é justamente colocar o outro no papel de bobo enquanto quem faz a brincadeira está em uma posição de destaque e liderança.

É na adolescência que o indivíduo está em busca da sua identidade, na qual há uma necessidade de autoafirmação, de pertencimento a um grupo ou um estilo e para tanto se utiliza da experimentação de maneira saudável ou através de comportamentos de risco. Aquilo que muitas vezes é considerado brincadeira, piada, ou palhaçada pode resultar em consequências, a noção do que é certo e errado ainda está em desenvolvimento. Visto que o adolescente não mede esforços para chamar atenção,deixando o desejo acima da realidade. Realidade essa, que é construída no educar. Que se dá a partir de um papel ativo dos pais para com este adolescente propiciando um ambiente de cuidado, diálogo, afeto e respeito. Permitindo ao jovem um espaço para o crescimento, bem como, com responsabilidade em relação a si e ao outro.

Na psicologia entendemos que neste desafio da rasteira há uma comunicação não verbal que pode sinalizarum desejo de ser olhado, um pedido de ajuda, e até mesmo uma busca por limites com o intuito de sentirem-se seguros e amparados. Sendo assim, pensamos ser importante que a rede de apoio (família e escola) valorize tais manifestações, acolhendo e propiciando um espaço de escuta e orientação. A psicoterapia para adolescentes é uma excelente ferramenta no auxilio dessas questões, pois ajuda no autoconhecimento, proporciona um espaço livre de julgamento ou crítica. Instiga o pensar, fazendo com que o adolescente compreenda com clareza seus comportamentos e atitudes, o que os leva a agirem de tal forma e sobre tudo como estes impactam no outro.