Por Camila Trevisol Fernandes, Psicóloga – CRP 07/23581

A infância e a adolescência é um momento crucial para o desenvolvimento da personalidade. Ela se estrutura e se molda essencialmente no meio familiar, na relação com os pais, na educação e nos valores que lhe são ensinados.

No passado, a educação era muito rígida, a relação entre pais e filhos era distante, composta muitas vezes por limites severos e castigos corporais.  Com as mudanças na sociedade e na estruturação na família, encontramos hoje uma na grande dificuldade dos pais de encontrarem um equilíbrio na imposição de limites na educação dos filhos.

Acredita-se que tanto o excesso, quanto a falta de limites, implicam em danos no desenvolvimento psíquico das crianças. Quando esses limites se tornam imposições e exigências narcísicas dos pais, desconsiderando as necessidades genuínas das crianças, elas podem se tornar adultos inseguros e dependentes de sua aprovação.

Por outro lado, quando não há espaço para as frustrações, algumas crianças podem acreditar que os outros devem atender a todas as suas vontades ignorando, portanto, as necessidades e a autonomia dos outros. A frustração, em boa medida, possibilita ao indivíduo entrar em contato com a realidade e com as consequências de suas ações, permitindo maior aprendizagem, experiência e valorização sobre as coisas da vida.

Na educação dos filhos, os pais podem experimentar muitas dúvidas e sentimentos de culpa, contribuindo para as dificuldades na construção de limites na atualidade. Através da infância dos seus filhos, os pais são influenciados pelos seus próprios conflitos internos, sendo muitas vezes aterrorizados pelas suas “falhas”, procurando compensar com condutas permissivas acreditando tornar a criança mais feliz. Porém, pelo contrário, o não estabelecimento de regras claras, deixam as crianças inseguras, desprotegidas e angustiadas, precisando dar vazão a esses sentimentos no relacionamento com o outro.

O excesso de liberdade rompe com uma relação positiva entre pais e filhos. Os pais devem ser vistos como figuras de autoridade que estão ali para educar e apoiar com firmeza e confiança diante das problemáticas que os filhos enfrentam, e não somente como os seus melhores amigos, pois estes, os filhos irão buscá-los no decorrer de suas vidas.

Por fim, embora seja uma tarefa complexa, a formação de limites dentro do âmbito familiar deve ser percebida como um processo de desenvolvimento que envolve compreensão, diálogo e respeito entre seus membros. Através disso, são transmitidos valores éticos consistentes capazes de fazer com que a criança e o adolescente ajustem seus comportamentos às exigências da vida em grupo, caso contrário, a sociedade se encarregará disso.