Por Raquel Schwartz Henkin – Psicóloga, CRP 07/22781

A adolescência é uma etapa evolutiva complexa e geralmente é vivida de forma bastante turbulenta emocionalmente. É um período de transformações que exige uma reestruturação da identidade, ocorrendo um confronto entre um passado infantil, um presente avassalador e um futuro desconhecido.

As transformações corporais que se desencadeiam a partir da puberdade geralmente são vividas com muita ansiedade pelo adolescente. Muitas vezes um corpo “adulto” se desenvolve sem que haja maturidade emocional para tal. Este desequilíbrio pode trazer muita angústia e sentimentos de confusão.

Essas transformações fazem com que seja necessário um importante trabalho psíquico, pois esse jovem precisa lidar com a perda de um corpo infantil, perda dos pais da infância e de uma identidade infantil até então construída (Knobel, 1989). Ou seja, ocorre uma crise identitária que poderá se manifestar de diversas formas. O tipo de manifestação dependerá de como esse indivíduo vem se desenvolvendo até então e com que recursos internos (capacidade de elaboração, capacidade simbólica, estrutura de ego) e externos (família, escola, comunidade, etc.) ele pode contar.

É essencial destacar que comportamentos que seriam considerados patológicos em adultos não podem ser assim considerados na adolescência. É comum, por exemplo, que durante a adolescência algumas ansiedades se incrementem e que ocorram flutuações de humor. No entanto, há situações em que pode se tornar mais complexo discriminar o que são condutas “normais” da adolescência de condutas realmente patológicas.

Se por um lado a rebeldia, as transgressões das normas, o uso/abuso de álcool e drogas, automutilações, transtornos alimentares, entre outros comportamentos de risco, por exemplo, chamam atenção da família e costumam trazer grandes preocupações, manifestações mais silenciosas, como o isolamento social, às vezes acabam passando despercebidas. Tanto em um quanto em outro caso, deve-se entender essas ações como formas de comunicação desse jovem, indicando que algo não vai bem com ele. Em algumas situações, pode-se observar melhora somente com o acolhimento e apoio da família, mas em outras, se faz necessária ajuda profissional.

Importante ressaltar que quanto maior for a insegurança e a desorganização internas, maior será a importância da existência de um apoio externo significativo (Jeammet, 2005), ou seja, mais implicada a família precisará estar no processo.

Uma avaliação e um acompanhamento psicológico consistentes, auxiliam o adolescente e a família a compreender os sintomas ou comportamentos dentro do contexto de vida desse jovem, criando as condições para que ele possa, aos poucos, se reorganizar, assim como a família descobrir novas formas de lidar com as dificuldades que estão se apresentando.