Por Mariana Medeiros, Psicóloga – CRP 07/11721

O luto é algo universal e é uma passagem que nunca escaparemos e que de uma forma ou outra a viveremos em nossas vidas. Pensar sobre a morte, sobre luto, sobre perdas que passamos é necessário, e faz refletir sobre este assunto tão “vivo” dentro de cada um de nós. Ele existe e não podemos negar.

Vivemos de perder e abandonar, e de desistir. E mais cedo ou mais tarde, com maior ou menor sofrimento, todos nós compreendemos que a perda é, sem dúvida, uma condição permanente da vida humana. Lamentar é o processo de adaptação ás perdas da nossa vida. Então, pergunta Freud, em que consiste a lamentação pelo que perdemos? E ele responde que se trata de um processo interior difícil e lento, extremamente doloroso, em que desistimos passo a passo. Ele está se referindo á lamentação pela morte das pessoas que amamos .Alguns autores acreditam que pode haver um fim para a lamentação, e este fim depende do modo de como sentimos esta perda, do quanto estamos preparados para isso, das forças interiores e do apoio externo, da história individual do sujeito de amor e de perda. Para isso acontecer passamos por fases de mudança,  fases de dor, pois a dor passa a ser não um estado, mas um processo.

Alguns pensadores, como Bolby, formularam a hipótese de estágios do luto:

– Uma fase de desespero árduo, caracterizado por torpor e protesto. A negação pode ser imediata e os ataques de raiva e aflição são comuns. Este estágio pode durar de momentos até dias e pode ser periodicamente revivido pela pessoa, através do processo de lamentação.

– Fase do desejo intenso pela presença do falecido e busca por este, caracterizado por uma inquietação física e uma preocupação total com o falecido. Esta fase pode durar meses ou até mesmo anos, em uma forma mais atenuada.

– Fase da desorganização e desespero, a realidade da perda começa a ser assimilada. A pessoa sente necessidade de repassar suas emoções de perda e parece retraída, apática e inquieta. Insônia e perda de peso ocorrem com freqüência, bem como o sentimento de que a vida perdeu o sentido. Há, também, um reviver contínuo de recordações do falecido e um inevitável sentimento associado de desapontamento, quando o enlutado reconhece que o que tem são apenas recordações.

– Momento que é definido como a fase de reorganização, durante a qual os aspectos agudamente dolorosos da perda começam a desaparecer e as pessoas agora começam a sentir-se como se voltasse á vida. O falecido agora é lembrado com alegria, bem com tristeza e a imagem da pessoa perdida é internalizada.

A morte é um dos fatos da vida, que reconhecemos mais com a mente do que com o coração, pois enquanto nosso intelecto reconhece a perda, o resto de nós continua tentando arduamente negar o fato. Pensando nisto reconheço que perder é o preço que pagamos para viver. É também a fonte de grande parte do nosso crescimento e dos nossos ganhos. Ao trilhar o caminho do nascimento até a morte, temos de passar também pela dor de renunciar. Temos de enfrentar nossas perdas diárias.

Penso, que cada um de nós, em seu íntimo, tem uma perda, uma falta, e que ao descobrirmos utilizamos defesas como a Negação, por exemplo, ao dizermos: Não é verdade, não aconteceu! E após uma exaltação maníaca (quando achamos que aquele ser perdido era o objeto perfeito) ou quando triunfamos sobre a perda: eu sobrevivi! (muitas vezes retardando a dor da perda). Sabemos que para o luto ser bem elaborado a perda não pode ser negada, ela deve ser vivida! Então, vem o desejo de reparação, podendo realizar mecanismos obsessivos ou sublimações.

Mas a verdadeira reparação ainda é a aceitação da perda!