Por Maria Rita Beltrão, Psicóloga – CRP 07/06553

Toda criança nasce brincalhona e criativa, cabe aos pais incentivar e desenvolver as potencialidades dela. Mas como fazer isso? Investindo nas atividades lúdicas. Se você quer ajudar seu filho a ser criativo é preciso dar função e sentido à expressão espontânea dele.

A criatividade não pode ser dissociada da brincadeira, brincar de se fantasiar, por exemplo, permite que a imaginação seja estimulada desde que você ajude a criança a compor o personagem. Movimentar-se, dançar, escutar música e compartilhar emoções também colaboram nesse processo, já que a criatividade se abastece da experimentação, dos sentimentos, toques, cheiros… Nós nos constituímos de uma série de experiências que alimentam nosso pensamento e se interligam para formar nossa personalidade.

E o que pode impedir a criança de ser criativa? Criticar em excesso exigindo resultados, transformar eletrônicos (televisão, computador, tablet, celular) em brinquedos e manter a criança sempre ocupada em atividades extraclasse acabam por tolher a expressão da criatividade.

É importante que os pais deem limites, mas a crítica deve ser dirigida ao comportamento e nunca à criança. Dizer: “Como você é bagunceira”, não vai tornar seu filho uma criança organizada, mas dizer: “Vamos arrumar estes brinquedos de um jeito organizado juntos”, tem um efeito positivo no comportamento que se quer modificar.

Quanto ao uso de eletrônicos vale sempre lembrar que a criança que passa muitas horas por dia conectadas tem seu desenvolvimento afetado, pois enquanto está conectada, ela deixa de se movimentar, de interagir com os outros e de brincar. Nada substitui o efeito positivo da brincadeira livre pois ela provoca estímulos físicos e mentais que são fundamentais ao desenvolvimento cerebral das crianças.

Manter o tempo todo a criança ocupada em atividades extracurriculares sem tempo livre para brincar não é saudável, pelo contrário, tira dela a chance de estimular sua curiosidade e criatividade. A criança precisa ter a oportunidade de “ficar sem fazer nada”, pois o tédio e o ócio vão funcionar como estímulos para a mente buscar maneiras de “preencher” esse vazio mesmo que apenas com o uso da imaginação.

Os pais deveriam dedicar mais tempo aos filhos, tempo para brincar e desenvolver laços, mais do que ter objetos as crianças necessitam mesmo é “estar” com os pais e poder brincar. Uma criança que não sabe brincar não será uma pessoa feliz. Temos que estimular o brincar e isso não significa ensinar a apertar botões, mas sim a criar, a inventar e a desenvolver a imaginação.