Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

O TDAH caracteriza-se por uma alteração na intensidade da expressão de funções normais do comportamento humano. Apresentam uma capacidade de atenção abaixo do esperado, uma expressão motora acima do esperado. Assim a desatenção, hiperatividade e impulsividade são os sintomas que definem este funcionamento e desencadeiam dificuldades no desempenho escolar, laboral e nos relacionamentos, mas nada tem a ver com baixo potencial intelectual.

Descrevendo um pouco mais, observamos uma disfunção em um conjunto de habilidades que permitem estabelecer metas, organização, planejamento, monitoramento da ação,seleção de comportamentos que proporcionam a obtenção de resultados favoráveis.

Pacientes com TDAH apresentam dificuldade para manter o foco, distraem-se facilmente com coisas irrelevantes, dificuldade para refletir sobre problemas enfrentados, dificuldade para iniciar tarefas que exijam esforço mental continuado, esquecimento de obrigações, perda de coisas necessárias para a tarefa. Na idade adulta geralmente atenuam os sintomas de hiperatividade motora, mas seguem acontecendo a desatenção e prejuízo no desempenho das atividades. Observa-se ainda associados a este quadro, a depressão, ansiedade, transtornos de conduta e de oposição. Questões emocionais importantes aparecem relacionadas, como o sentimentos de tristeza e baixa estima, dificuldade para lançar-se em novos projetos e atividades em função da descrença em suas habilidades, incluindo, por exemplo, em variadas intensidades e formas de expressão,  a ansiedade, o medo, a irritabilidade e agressividade.

Os recursos para tratamento incluem medicação, psicoterapia e reabilitação. A medicação auxilia organizando a produção e utilização dos neurotransmissores importantes para o bom funcionamento da atenção e diminuição da impulsividade. A psicoterapia visa tratar questões emocionais associadas com os sentimentos de desvalia decorrentes dos insucessos constantes,  estes relativos ao desempenho da tarefa em si e dos relacionamentos afetivos envolvidos, bem como a motivação para desenvolvimento e reconhecimento de habilidades.  A reabilitação visa treinar e aumentar a capacidade de atenção, organização e memória. Estes recursos, utilizados em conjunto, possibilitam melhor organização e desempenho nas atividades da vida diária bem como bem estar emocional.