Por Camila Trevisol Fernandes – CRP 07/23581

Através das mudanças sociais e culturais na nossa sociedade, e com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, se fazem necessárias novas configurações no âmbito familiar. Observam-se significativas transformações nas relações entre homens e mulheres, assim como, nos papéis conjugais e parentais.

O pai anteriormente exercia a exclusiva função de provedor, desempenhando essencialmente uma função disciplinadora, e na maioria das vezes, através de códigos rígidos e repressivos. Sua autoridade não era questionada e as regras estabelecidas eram impostas tanto para os filhos como para a esposa que, na qual, mantinha uma relação de dependência. A relação entre pai e filho era distante, havendo pouca interação e participação nos cuidados diários com a criança.

A interação com a figura paterna é um dos fatores decisivos para o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, facilitando a capacidade de aprendizagem e a interação social. Torna-se importante ressaltar que a figura do pai pode ser representada por outro adulto que participe ativamente da vida da criança e tenha um vínculo significativo com ela.

A presença do pai poderá facilitar à criança a passagem do mundo da família para o da sociedade.  O pai poderá auxiliá-lo no desenvolvimento da capacidade de se defender, de explorar o ambiente, de lidar com os sentimentos decorrentes de situações de vida e na afirmação de si. Com o pai próximo e presente podem sentir-se mais seguros em suas atividades, na tomada de iniciativas e nos vínculos ao longo da sua trajetória.

De outro modo, a ausência paterna pode gerar conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, bem como influenciar o desenvolvimento de distúrbios de comportamento. Pode-se observar que os filhos carecem de apoio, segurança e de valores que espontaneamente cabe ao pai também transmitir. Os jovens procuram no seu pai um modelo com o qual possam se identificar, necessitando de limites bem estabelecidos e a afirmação da noção de certo e errado para o bom desenvolvimento pessoal.

Crianças que não possuem uma figura paterna com vínculo satisfatório podem apresentar problemas de identificação, dificuldades de desempenhar seus papéis e de aprender regras de convivência social. Isso mostra a importância da internalização de uma figura simbólica, capaz de representar a instância moral do indivíduo. Desse modo, a falta pode se manifestar de diversas maneiras, entre elas uma maior propensão para o envolvimento com a delinquência.

Quanto maior é a participação e o envolvimento do pai no crescimento e na educação da criança, melhor são os sentimentos de satisfação com a vida e a relação que se estabelece com as pessoas. As crianças que tem um bom relacionamento apresentam um nível maior de autoestima, confiança interna, segurança em si mesma e em relação àqueles que a rodeiam. Além disso, conseguem desenvolver estruturas psíquicas suficientemente fortes e seguras para enfrentar as dificuldades da vida cotidiana.

O vazio promovido pela ausência paterna pode desencadear vários déficits no bem-estar das crianças, podendo experimentar sentimentos de desvalorização, raiva, tristeza, melancolia, agressividade e violência. A privação pode trazer consigo angústia, uma exagerada necessidade de amor, fortes sentimentos de vingança, culpa e depressão.

Por fim, considera-se que a função do pai na vida de um filho é tão fundamental quanto à presença da mãe, quando se pensa em um bom desenvolvimento socioemocional da criança. Atualmente através da reorganização dos papéis familiares, os pais podem estar mais próximos fisicamente e afetivamente dos seus filhos, podendo participar ativamente dos seus cuidados desde o seu nascimento.