Por Keylla Jung, Psicóloga – CRP 07/07683

O amor tem plasticidade, se expressa sob muitas linguagens, e ainda assim, para nós, seres racionais não nos basta sentí-lo, queremos explicá-lo.

Vez ou outra encontramos consolo nas palavras em poesia, no curso de um romance, na arte em imagens ou ritmos que nos falam do amor. Sobre ele, há quem diga que é apenas invenção humana e, portanto, pode ser modificado.

Passamos à entender que o amor é intrinsicamente constitutivo da forma como nos tornamos pessoas.

Para os gregos antigos, o amor está representado em Eros, uma força de ligação, um desejar ardente que não é necessariamente carnal. O desejo é sempre daquilo que nos completa. É desejo de conquistar e conservar o que não se possui.

O amor expresso na amizade é desejo de compartilhar, um prazer com a convivência. Fazer o bem para o outro, ainda que não exista nenhuma inclinação especial, é amor de benevolência.

Ao longo do século XIX, o amor passa a ser visto como indissociável do romantismo e, na esteira desse pensamento, surge a psicanálise que, entre outras investigações, se ocupa dos impasses amorosos da humanidade moderna. Porém, diferente de um folhetim, a psicanálise tenta dar corpo científico à compreensão que se possa ter sobre o amor. Ela assume uma posição nada ingênua e questiona a cerca da fixidez do amor romântico como via régia de acesso à felicidade. A psicanálise considera o amor como experiência que se reproduz na relação terapêutica, tal qual os modelos relacionais mais primitivos da vida do paciente.

Na concepção freudiana, projetamos em nossas escolhas amorosas as perfeições idealizadas da imagem que construímos de nós mesmo, isto porque desejamos ser protegidos, cuidados e reconhecidos como seres únicos diante da atenção emocional do outro, ou seja, o amor surge da necessidade de nos livrarmos de nosso sentimento de desamparo.

No transcorrer de um processo psicoterápico, essas experiências são novamente experimentadas de maneira mais ou menos sutil, e, a partir desse ponto, novos significados poderão ser atribuídos ao que cada um entende por amar e ser amado.