Por Denise Helena Müller de Ávila , Psicóloga  – CRP 07/01582

Se costuma dizer que quando nasce um bebê também nasce uma mãe. Pois é, quando um bebê nasce a mãe precisa aprender a ser mãe enquanto o filho vai se descobrindo indivíduo a medida que se vê refletido no olhar da mãe, como se estivesse num espelho. Para o bebê desabrochar, crescer e se descobrir como pessoa única ele precisa experimentar um contato afetuoso, íntimo e contínuo com sua mãe. Como vemos, essa relação mãe-filho vai sendo construída.

No início de sua vida o bebê é totalmente dependente da mãe, necessita de sua presença, não só física, como de sua disponibilidade interna, de sua atenção, necessita da mãe inteira, de “corpo e alma”.

Essa primeira experiência do bebê com sua mãe será a matriz de todas as relações futuras. Um pai presente (e cada vez mais os pais estão participando dos cuidados com os filhos, entendendo seu importante papel) será um reforço dessa “matriz” e poderá suprir falhas e principalmente, ajudar a mãe a se dedicar a este bebê. Se a mãe tem prazer, alegria, orgulho do seu filho este vai sentir-se como um presente para esta mãe. Mas ao contrário, se a mãe sente tristeza e ansiedade demasiada, o filho se sentirá como um incômodo, “não se sentirá “acolhido”.

O fracasso dessa experiência (mãe que não consegue ser continente, ser suficientemente boa) dá lugar a um vazio que leva a criança a buscar constantemente alguém que o preencha. Ela terá tudo para ser uma pessoa ansiosa, insegura, que precisa de atenção e afeto o tempo todo.

Tudo o que acontece posteriormente na vida de uma criança irá depender muito dos primeiros cuidados maternos, para os quais é necessário um olhar cuidadoso. É a partir da qualidade dos cuidados da mãe que a criança se tornará apta a adquirir uma “confiança básica”, confiança em si mesma e no mundo, que a torne uma pessoa feliz e alegre com sua existência.

Essa “confiança” é construída ao natural, gradativamente, a partir das experiências diárias de cuidado, proteção e intimidade com a mãe, é um processo construído pela dupla mãe-filho, podendo se dar também com a dupla pai-filho.

Se ao contrário de ser protegida, muito cedo a criança tiver que dispensar esses cuidados maternos, se tiver que aprender muito cedo a conviver fora de casa, sem o apoio dos pais, ela será forçada a “forjar” uma confiança por um processo artificial, “de fora pra dentro”(falso self). Quando isso acontece, o enfrentamento de situações que geram ansiedade, medo, tristeza são mais difíceis e penosos para a criança, podendo gerar intensas sensações de desamparo.

Tendo esses cuidados nos primeiros anos de vida a criança vai criando uma confiança no mundo. Confiará nas pessoas a sua volta e estará fortalecida para enfrentar os desafios da vida.

À medida que os pais vão cuidando de seu bebê também vão mostrando seus limites. As crianças desde cedo vão aprendendo e compreendendo de forma cuidadosa e amorosa as restrições que são impostas com autoridade (não falo de autoritarismo) pelos pais. Ter autoridade e impor limites para nossos filhos é difícil, cansativo mas é um ato de amor. Quem ama cuida! E as crianças sabem que podem confiar quando pais amorosos impõe regras com autoridade. Por mais que reclamem sabem que os pais são fortes o suficiente para protegê-los.

Ao contrário, os pais que “não conseguem” controlar seus filhos criam crianças ansiosas, inseguras, agressivas, insatisfeitas.  Quando estas restrições são feitas de forma impessoal, por estranhos, como por exemplo deixar para a escola colocar os limites, serão sentidas como desaprovação e não como cuidado e proteção, podendo causar sentimentos como solidão, medo de abandono, revolta,…

É nos cuidados amorosos e personalizados dos pais que estão os alicerces para a saúde mental da criança e não no que ela poderá aprender fora de casa. Confiança e saúde mental não se aprende, se vivencia.