​Por Luciana Pandolfo Camaratta, Psicóloga – CRP 07/05918

Procrastinação é o adiamento de uma ação. Torna-se um problema quando impede o funcionamento normal da vida das pessoas. As causas variam muito, mas geralmente envolvem ansiedade, baixa estima, mentalidade destrutiva e sabotadora.

O adiamento acontece em função da idealização. As pessoas vivem baseadas em sonhos e desejos de realização e perfeição. Não conseguem realizar uma apreciação realista de seu momento de vida, suas obrigações, habilidades e dificuldades. Existe um grande temor em não conseguir ou não ser aprovado e valorizado, uma crença de que já está condenado ao insucesso. Então nem adiante tentar! Aparece também a ideia de que “amanhã estarei melhor, então eu faço!” Enquanto não se termina algo é possível imaginar a perfeição. Na prática somos falhos e temos que lidar com a realidade. Precisamos lidar com as frustrações e incapacidades. Muitas pessoas evitam esta tarefa.

A procrastinação geralmente vem associada a outros transtornos mentais como depressão, fobias, TDAH, dislexia e TOC, entre outros. Geralmente encontramos na família um padrão autoritário de parentalidade. A criança tende a se adaptar a este modelo na tentativa de ser mais assertivo e receber menos punições e/ou críticas. Passa a reprimir impulsos e desejos. Insegura e desconfiada, não reconhece suas potencialidades e vai perdendo seu potencial de ação. O medo de não fazer as escolhas certas ou sentir e pensar em não ter condições é o combustível perfeito para procrastinação.

Constantemente dizemos que “não estamos preparados e deixamos a tarefa para depois!” Nunca estaremos totalmente preparados! Sempre haverá coisas novas para descobrir e aprender, novas habilidades a desenvolver, incapacidades para aceitar. Tentar tornar-se perfeito para então assumir as tarefas é uma sabotagem! Muitas vezes a vida exige outras providências, mais rápidas e imediatas no desenrolar da situação. Exige confiança! Muitas vezes a pessoa vive cultivando uma fantasia , esperando algo ideal. Em igual proporção, inevitavelmente aparece a frustração.

A vida vai tornando-se vazia e empobrecida. Nos extremos da idealização e frustração “aparece a paralisia.” Não posso fazer porque não acontece perfeitamente! Não posso fazer porque sei que dará errado! Para evitar o vazio, vive imaginando, potenciais obras primas que nunca se realizam. Este funcionamento pode ser debilitante e um campo fértil para o desenvolvimento de patologias psiquiátricas mais graves como citado acima.

O tratamento envolve psicoterapia, associado a possível uso de medicamentos, objetivando a superação dos conflitos relacionados a este funcionamento, melhora da auto estima, superação da insegurança e desenvolvimento de habilidades e atividades.