Por Ingrid Schonhofen Petracco, Psicóloga – CRP 07/11717

A acumulação compulsiva é um distúrbio psicológico que consiste na aquisição ou recolha de objetos e o impedimento de se livrar deles, mesmo se forem inúteis ou não cumprirem nenhum propósito prático, objetos estes muitas vezes já deixados no lixo por outras pessoas.

Os acumuladores compulsivos são caracterizados por sentirem muita dificuldade de se desfazer de seus bens materiais. Criam vínculos emocionais com os objetos, semelhantes ao que a maioria das pessoas experimenta com outras pessoas e esta é a principal razão pela qual não conseguem simplesmente jogá-los fora. O desprendimento material causa angústia, dor e até mesmo remorso.

O comportamento de acumulação compulsiva geralmente causa, para a pessoa que sofre da doença e para membros da família, prejuízo emocional, social, financeiro, físico e até mesmo legal, pois muitas vezes o estado precisa intervir, tamanha a insalubridade que a pessoa vive e os riscos desta condição para si e para quem esta nos arredores.

Por trás desta doença, habitam sentimentos como a ansiedade, o medo, humor deprimido, o arrependimento e a frustração, entre vários outros. A doença funciona como uma mórbida auto compensação de algo que aflige o doente. E vai evoluindo e piorando com o tempo e, em geral, as pessoas não conseguem identificar quando começaram os primeiros sintomas. Também em sua maioria são pessoas de meia idade ou idosos. Outro fato importante é diferenciar o acumulador do colecionador, este último normalmente seleciona um tipo de objeto e o faz por hobby, não causando prejuízos a sua vida social.

O acumulador não considera que é apegado aqueles objetos, porém ele tem uma dúvida patológica que é: “e se um dia eu precisar? ”, por isso a dificuldade de se desfazer dos itens.

Quem sofre deste transtorno começa a ter um prejuízo familiar e funcional, ao passo que o acúmulo de objetos pode vir a ocupar cômodos inteiros, fazendo com que a pessoa tenha que sair do próprio quarto e dormir na sala por falta de espaço, por exemplo.

Sinais importantes que indicam acumulação compulsiva

  • Recolhem objetos que os vizinhos não querem mais;
  • Não têm capacidade de usar a casa para a finalidade pretendida (cozinha para cozinhar, banheiro para higiene pessoal e quarto somente para dormir);
  • Amontoam objetos de valores juntos com sucatas;
  • Jornais e revistas estão empilhados pela casa.

A acumulação pode ocorrer em diferentes níveis e de tipos específicos, algumas pessoas acumulam animais. Este tipo de acumulador é  mais difícil de convencera fazer um tratamento, por ele não sentir que exista qualquer aspecto de doença em estabelecer vínculos emocionais com os animais. E é claro que o problema está no uso que se faz, a serviço do que está essa quantidade enorme de animais.

É importante os familiares detectarem que o acumulador necessita se desfazer daqueles objetos por já estarem atrapalhando a vida funcional daquele indivíduo, busquem auxílio em clinicas especializadas em saúde mental. É necessário preparara pessoa antes de tentar retirar os objetos de qualquer maneira, pois ela pode se sentir muito mal, não suportar a situação e até mesmo ter uma crise de ansiedade ou um ataque de pânico, tornando-se por vezes agressivo.

É sabido que psicoterapia e medicamentos auxiliam na diminuição dos sintomas  (ansiedade, por exemplo)e, assim como qualquer tipo de transtorno, a não manutenção do tratamento pode levar à uma recaída. Durante o tratamento a pessoa passa por algumas transformações comportamentais emocionais e psíquicas que possibilitam uma melhora do quadro e possível cura. Porém, quando se abandona essa postura vinculada ao tratamento ou sob um evento estressante ou angustiante, esse sujeito pode retornar ao antigo quadro. Talvez, assim, todos possam conviver de forma melhor e longe do fantasma do acúmulo.