Por Carolina Fernandes de Abreu Marques, Psicóloga – CRP 07/11647 

Um dos maiores desejos de um casal que se une em casamento é construir uma linda e unida família. Sendo assim, a chegada dos filhos é sempre um momento especial, envolto de muita magia e expectativa.

Muitos casais planejam e buscam ansiosamente ter mais de um filho; geralmente por esperarem que estes sejam amigos e parceiros por toda a vida e principalmente quando eles, os pais, já não estiverem mais vivos.

E quando isso não ocorre? E quando mesmo sendo parceiros e amigos, os irmãos brigam e discutem? Esse passa a ser um momento de grandes conflitos entre as famílias e principalmente entre o casal de pais. O que fazer? Como manter os filhos unidos e fortalecidos em seus laços fraternos?

É importante frisar que todos os irmãos brigam e isto não necessariamente é algo negativo. É entre irmãos que começamos a aprender o processo de dividir e emprestar, por exemplo. Logo na chegada do irmão, o filho mais velho já aprende que precisará dividir a atenção com o recém-chegado e isso pode gerar medo, insegurança, incerteza e a assustadora rivalidade.

Quando os pais e demais familiares não conseguem entender, aceitar e ajudar o filho mais velho a compreender que esses sentimentos são naturais e aos poucos tendem a se “acomodar”, a criança pode apresentar muita culpa e até sintomas de depressão e maiores dificuldades na vida adulta por conta de auto-boicotes e dificuldades de lidar com seus sentimentos.

Outro ponto importante a ser observado é não anular ou invalidar a individualidade de cada filho. Cada indivíduo é único e, mesmo sendo membro da mesma família, terá suas características próprias e particularidades e estas devem ser respeitadas e reverenciadas, quando necessário. É comum por uma questão de identificação e até por aspectos transgeracionais, os pais terem mais afinidade ou se identificarem mais com um filho do que com outro; porém isso não pode ser motivo para que não se reconheça a personalidade do outro ou até mesmo deixe de se posicionar ou impor os limites necessários àquele filho com que tem mais “proximidade”.

Contudo, o que se mostra sempre eficiente para o bom relacionamento entre irmãos são os modelos, principalmente os de pai e mãe. Pais que se respeitam e se tratam com educação, demonstram que é possível resolver conflitos e rivalidades com respeito e afeto.