Por Larissa Mendonça Lütkemeyer, Psicóloga – CRP 07/16189

Diariamente somos bombardeados por mensagens de que precisamos ser sempre melhores e buscar sempre mais, intelectualmente, emocionalmente, financeiramente… Não nos sentimos suficientemente capazes se não formos graduados, especializados, com mestrado e doutorado. Temos que nos sentir bem e estar felizes o tempo todo, não há lugar para a tristeza e a frustração. Precisamos ter o último modelo de smartphone, o carro do ano…

Diante de tantas exigências, muitas vezes nos deparamos com sentimentos de frustração, insatisfação ou incapacidade. Afinal, de quanto trabalho, tempo, esforço e dedicação precisamos para atingir esses ideais que nos são impostos a todo momento? Será que somos capazes de conquistar tudo isso? Mas, e se não conseguirmos? Então não poderemos nos sentir felizes?

Frustração é um sentimento que surge quando algo não sai conforme a expectativa que criamos ou quando um desejo não encontra satisfação. Saudáveis, as frustrações são passageiras, inevitáveis e necessárias. A partir delas construímos um senso de realidade, entendemos que existem outros além de nós mesmos, aprendemos a ser mais pacientes e tolerantes.

No entanto, são tantas as condições para atingirmos o “ideal”, que é muito comum surgir uma sensação de que nunca temos o suficiente pra nos sentir satisfeitos ou de que não somos bons o suficiente para nos sentir felizes e realizados, fazendo, muitas vezes, com que nos questionemos a respeito das nossas capacidades e gerando um constante sentimento de insegurança. Em função disso, trabalhamos cada vez mais, com o objetivo de conquistar esses ditos “ideais”, e dedicamos cada vez menos tempo para atividades prazerosas e de lazer, para convivência em família e com pessoas importantes. Passamos a nos preocupar mais com o  futuro do que com o presente e a exigir de nós e dos outros um ritmo, por vezes alucinado, porque há muito para conquistar e “não há tempo a perder”. Mas somos continuamente exigidos a lidar com as frustrações decorrentes de todo esse processo, pois não temos o controle de tudo e nem tudo acontece no tempo ou da forma que gostaríamos.

Como consequência, tem sido cada vez mais comum, o aparecimento da ANSIEDADE. Ansiedade é um sentimento normal, que nos põe em alerta frente a uma situação de perigo real ou devido a impulsos indesejáveis (geralmente inconscientes), ativando os mecanismos de defesa mais adequados para o seu enfrentamento. Qualquer situação nova ou desconhecida pode ser potencialmente geradora de ansiedade. Quando a ansiedade se torna muito intensa e aparece de forma abrupta, deixando-nos com a sensação de impotência e bloqueando a nossa capacidade de pensar e reagir adequadamente, configura-se uma patologia, necessitando de atenção e tratamento adequado.

A psicanálise entende a ansiedade patológica como uma revivência de situações primitivas (muito precoces) que, por diversas razões, são reatualizadas em algum momento ou fase da vida. Teorias psicanalíticas enfatizam a importância do ambiente, representado pela mãe, que, sendo capaz de auxiliar o bebê a conter e transformar suas angústia iniciais, proporciona ao recém-nascido condições para lidar com o desamparo com que vem ao mundo. Falhas no processo de acolhimento dessas angústias, resultam em uma falha egóica, que se manifestará, futuramente, em forma de ansiedade.

Segundo dados da OMS, divulgados no início de 2017, o Brasil é o país com a maior taxa de transtorno de ansiedade no mundo. Levando em consideração tudo o que foi descrito acima e pensando nesse sistema, no qual, temos cada vez menos tempo disponível e dedicamos cada vez menos energia para cuidar de nós mesmos e, consequentemente, dos outros (inclui-se aqui os filhos), será que não estamos criando uma geração de ansiosos?

A psicoterapia é um processo de autoconhecimento que nos permite reconhecer o nosso funcionamento, entender as falhas psíquicas que trazemos conosco, identificar nossos sentimentos, questionar pensamentos, compreender motivações e objetivos. Num ambiente acolhedor e sem julgamentos, assim torna-se possível realizar escolhas mais saudáveis, gerando aumento da confiança em si mesmo e de sentimentos como satisfação e felicidade