Por Tanise Gralha Mateus, Psicóloga –  CRP 07/10230

A gestação traz consigo um momento de muita expectativa e mudanças. Além das mudanças físicas na casa, mudanças físicas no corpo, uma carga hormonal invade o corpo da mulher. Novas sensações, sentimentos e emoções são experimentadas e as relações sentem o impacto de todas essas novidades. No artigo anterior, escrito pela Psicóloga Rafaela Hass, as mudanças ocorridas na relação conjugal com a gestação foram explanadas. Neste presente artigo, pontuaremos as questões referentes a depressão pós parto, que pode acometer mulheres gestantes e puérperas.

Os primeiros dias após o nascimento do bebê são um misto de sentimentos, e os hormônios são os principais responsáveis pelas mudanças, já que com o nascimento do bebê há uma nova reorganização hormonal. A chegada do bebê é um momento idealizado e muito esperado pela grande maioria das mães. A imagem de uma mãe feliz, amamentando um bebê tranquilo, num ambiente lindo e colorido está frequentemente associada à que temos de uma mãe com seu recém nascido bebê. Alguns momentos de angústia, tristeza e medo são também experimentados durante o puerpério, mas não devem ser muito intensos ou de longa duração a ponto de prejudicarem o relacionamento entre a mãe e o bebê. Essa tristeza nos primeiros dias é chamada de baby blue e se trata, inclusive, de um momento adaptativo à maternidade, pois possibilita que a mãe fique mais atenta às necessidades e cuidados de seu bebê, evitando que a sensação de euforia tome conta.

Após  cerca de 40 semanas, o bebê que esteve protegido dentro do ventre vem ao mundo e uma certa sensação de despedida é comumente experimentada pela mãe. Neste contexto alguns momentos de tristeza, choro e insegurança podem ser experimentados. O habitual é essa sensação diminuir com o passar dos dias e com a capacidade da mãe de organizar sua rotina com o bebê. A média de duração do baby blue fica próxima aos 14 dias.

Segundo a OMS em cerca de 15% das mulheres esses sentimentos de tristeza evoluem para depressão pós parto (DPP). Mulheres que apresentaram quadros depressivos em algum momento da vida tem maior chance de desenvolver a DPP, assim como mulheres que tiveram DPP possuem mais chances de desenvolver depressão, já que essa é uma doença cíclica. Sentimentos de apatia, tristeza, falta de apetite, insônia e dificuldade de estabelecer uma conexão com o bebê são outros sintomas que caracterizam a depressão pós parto.

Uma a cada 7 mães desenvolve a depressão pós parto (DPP), segundo recente estudo realizado nos EUA. O suicídio é a segunda maior causa de mortes de mulheres após o parto. De acordo com dados do Hospital Israelita A. Einstein mais de 2 milhões de casos são diagnosticados por ano. Normalmente os sintomas são percebidos pela própria mulher, que também apresenta com frequência pensamentos indesejados e vontade de morrer, principalmente por acreditar não estar sendo uma boa mãe. O ganho ou perda significativa de peso, choro, irritabilidade e isolamento social são relatados com frequência. As causas da DPP são multifatoriais, porém, hoje já se sabe que em mais de  50% dos casos de DPP diagnosticados são uma consequências de uma depressão que começou já na gestação.

Embora tenha esse nome, a depressão pós parto pode acontecer ainda na gestação ou anos após o nascimento do bebê. Na gestação, estudos recentes sugerem que entre 10 e 20% das mulheres apresentem essetranstorno psicológico .

Na gestação a DPP pode ainda trazer consequências ao desenvolvimento do bebê, principalmente porque a mulher com depressão pode se alimentar de forma equivocada e insuficiente para o adequado desenvolvimento do feto, tende a não seguir as orientações do pré natal, vivenciam intensos sentimentos de culpa, pânico e a chance de aumento no consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Os bebês nascidos de mulheres com depressão durante a gestação tem maior chance de parto prematuro e baixo peso ao nascer, segundo estudos realizados nos EUA.

Dada às especificidades do momento da gestação e do puerpério, a psicoterapia é o primeiro e principal  tratamento.Em função da dificuldade de encontrar medicações psicotrópicas que tenham uma margem de segurança próxima 100% é o tratamento de eleição.

Os grupos de gestantes ou grupoterapia, conduzidas por psicólogos ou psiquiatras, é uma opção que traz bons resultados, tanto para prevenir quanto tratar a DPP em gestantes e puérperas. O processo auxilia no compartilhar experiências, sensações e sentimentos, possibilita a troca de informações, vivências e oferece apoio e acolhimento, suporte necessário para vivenciar de forma saudável a gestação e o puerpério.

Na psicoterapia individual ou em grupo as dificuldades individuais são identificadas e esclarecidas, rompem se esteriótipos, identifica se os obstáculos que impedem o desenvolvimento e torna possível encontrar as próprias condições de resolver ou enfrentar seus problemas.