Por Maíra Pasin Pozzer, Psicóloga – CRP 07/14830

O desenvolvimento do ser humano é pautado por etapas e fases que compreendem a vida como um todo, desde a gestação. Na infância ocorrem as principais aquisições e aprendizados, os quais, serão a base para a formação da personalidade de cada um. Em se tratando de sexualidade, muitos adultos pensam que as crianças não a possuem, confundido a sexualidade infantil com a sexualidade adulta. Porém, a sexualidade na infância pode se manifestar através de brincadeiras, curiosidades e interesse pelas diferenças entre os sexos, diferentemente do que ocorre na vida adulta.

A criança explora seu corpo e questiona os adultos sobre suas dúvidas, percepções e curiosidades. A maneira como os pais e adultos que convivem no seu dia-a-dia vão lidar com estas questões, fará grande diferença em como esta criança irá lidar futuramente com sua sexualidade. Cabe aos adultos compreender a diferença existente entre a sexualidade infantil e a adulta, para que possam orientar da melhor maneira, sem causar censuras desnecessárias para este momento de descobertas.

Gradativamente se dá a descoberta de partes do corpo, juntamente com sensações prazerosas causadas pelo seu próprio toque nas zonas erógenas. Tais descobertas são naturais e saudáveis para o desenvolvimento, sendo constitutivas não apenas do ponto de vista físico, como também psíquico.

Nesta fase do desenvolvimento é comum que os pais se sintam perdidos e sem saber como agir e o que dizer frente os questionamentos de seus filhos. É importante que ajam com o máximo de naturalidade possível e esclareçam aquilo que foi perguntado, sempre com uma linguagem clara e acessível à idade da criança. Sempre lembrando que para a criança a conotação erótica da sexualidade adulta não está em jogo, se fazendo presente apenas as curiosidades presentes nas descobertas infantis.

Uma situação que costuma causar angústia nos pais e adultos em geral é a masturbação infantil na qual, a criança se depara com sensações prazerosas causadas no seu próprio corpo, porém é fundamental ressaltar que tal experiência nada tem em comum com a excitação sexual vivida pelos adultos. Em situações como esta, os pais devem orientar que a criança pode se tocar, porém que o faça quando estiver sozinha, ensinando desta forma que a intimidade deve ser preservada e que nada há de errado em sentir prazer. Assim, a privacidade e cuidado protetivo com seu corpo vão sendo introjetados pela criança desde já.

Por se tratar de um tema que envolve censura, tabus e polêmicas, se faz necessário que quando os pais tenham dúvidas não hesitem em procurar ajuda profissional para lidar com a situação posta em cena. Pois, a sexualidade deve ser tratada e trabalhada com naturalidade, pois é parte fundamental e intrínseca da vida do ser humano. Desta forma, prevenimos que se instaurem traumas e distorções que podem desencadear dificuldades e patologias na vida sexual adulta.