Por Keylla Jung , Psicóloga – CRP 07/07683

É possível pensar a psicoterapia desde a perspectiva de uma prestação de serviço. No entanto, é assunto delicado estabelecer um valor monetário sobre as intervenções e cuidados que um profissional da saúde oferece à pessoa que o procura. Terapeuta e paciente trabalham, basicamente, no campo das subjetividades, o que torna a tarefa complexa. Psicoterapia, como o próprio termo traduz, significa tratamento da psique através de técnicas específicas, ou, simplesmente, terapia da mente.

Parto do princípio de que a vida emocional de qualquer pessoa é de grande valor. A mente, os pensamentos e as emoções frequentemente dão sinais de interferência em nossa vida prática, tanto no aspecto positivo como no aspecto negativo. Portanto, costumo dizer que psicoterapia é um processo caro, porém insisto que não me refiro ao valor monetário. Psicoterapia é um investimento bilateral que envolve paciente e terapeuta, no qual ambos dedicarão tempo, dinheiro, desejo e expectativas. Nessa relação, o paciente assume certos compromissos diante de combinações previamente acordadas entre ambas as partes, tais como o comparecimento nas sessões, honorários, alterações de horários e faltas. O terapeuta, por sua vez, se compromete com a organização de sua agenda para que o paciente tenha garantido seu espaço e horário. É dever do profissional zelar pela ética e o acesso aos recursos técnicos visando a terapêutica do paciente. Um profissional atento está em constante formação, estudando, pesquisando e se atualizando. São formas de tentar oferecer os melhores recursos e a melhor compreensão para cada caso de seus pacientes.

A formação de um psicoterapeuta, quando comprometido com sua profissão, exige longo tempo, investimento em aulas e supervisões, muito estudo e tratamento pessoal. Tudo justificado pelo fato de que a principal ferramenta de trabalho de um psicoterapeuta é sua própria mente.

No caso dos psicólogos, embora os conselhos de psicologia prestem orientações sobre como formalizar um acordo por escrito entre ambas as partes de um processo terapêutico, o mais comum ainda é o estabelecimento de um contrato apoiado na relação de confiança. Creio que aí se instala um importante desafio.

O paciente, quando procura uma psicoterapia, na maioria das vezes encontra-se em uma situação de fragilidade ou sofrimento. Na melhor das hipóteses busca o autoconhecimento com o auxilio profissional, o que significa um inevitável confronto com aspectos de sua personalidade que talvez preferisse manter em reserva. Esses fatores colaboram para que, nas primeiras sessões, a ansiedade se apresente de forma intensa, o que torna nada fácil a tarefa de pôr em prática uma relação de confiança.

Imagine-se frente a um desconhecido que, por melhor referência que possa ter, está ali com acesso a fatos de sua vida privada e interagindo com suas emoções. Trata-se de uma situação de exposição que pode ser particularmente ainda mais difícil para algumas pessoas. Tudo isso porque a confiança é algo construído, um processo que precisa de tempo e interação. A confiança pode iniciar com a empatia, com o sentimento de ser compreendido, com a certeza de não estar sendo julgado. O espaço terapêutico alia esses fatores ao desejo de transformação em que ambos, paciente e terapeuta, se envolvem numa relação de escuta, acolhimento e respeito ao outro.